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Artigo

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Jatahy Fonseca, um visionário

Por Francisco Carvalho

Foto: Acervo pessoal

Visionário, o desembargador Edmilson Jatahy Fonseca, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, marcou definitivamente sua carreira de magistrado com a implantação do Palácio da Justiça no Centro Administrativo da Bahia. Ao se completarem 30 dias de seu falecimento, sua memória merece permanecer viva, além de no coração da família, dos auxiliares e dos amigos, no Judiciário baiano.

 

Tão logo assumiu a presidência da Corte, em 2000, lançou-se decididamente à construção do novo prédio do TJ na 5ª Avenida, do CAB, concretizando um anseio da magistratura e atendendo a uma necessidade imperiosa de garantir mais espaço físico para o desempenho de suas atividades, oferecendo, consequentemente, melhores condições aos cidadãos que demandam a Justiça. Soube, assim, proporcionar aos operadores da Justiça, aí incluídos advogados e representantes do Ministério Público, espaços dignos para o exercício de suas funções e à cidadania o respeito que se impõe.

 

Como empreendedor nato, Jatahy Fonseca aliava ao múnus, a personalidade inquieta do realizador. Se o novo edifício sede do TJ foi a vitrine de suas realizações, a construção de novos fóruns e a restauração de outros no interior do Estado completaram seu legado na área administrativa propriamente dita, a par da modernização de diversos setores da Justiça, a começar pela ampliação da informática. Um esforço conjugado voltado para facilitar a distribuição da Justiça e assim reduzindo o quanto possível as lides.

 

Roma não foi descoberta em um só dia e, da mesma forma, a lentidão do Judiciário não seria solucionada de repente, como ainda não o foi. Reconheça-se, porém, que no biênio em que dirigiu o TJ Jatahy Fonseca ousou e conseguiu significativos avanços. Enfrentou, por isso mesmo, percalços pelo caminho. Internamente ou extra-muros da Corte. O conservadorismo arraigado, o fastio diante de mudanças e outros preconceitos não o afastariam da decisão de edificar a nova casa da Justiça, sem que se abandonasse o majestoso Fórum Ruy Barbosa, construído ainda na década de 50 durante o governo Octávio Mangabeira. Imagine-se como estaria estrangulada a sede da Justiça, atualmente, em meio a uma das estações do metrô de Salvador, no Campo da Pólvora!

 

Tendo vivenciado, como assessor de Comunicação Social do TJ, nas gestões dos presidentes Jatahy Fonseca, principalmente, e Robério Braga, as críticas que surgiam em relação à nova sede do TJ, coube-me a missão de contestar o pessimismo de alguns, mostrando as vantagens que adviriam. E, sem falsa modéstia, exerci o papel precípuo do jornalista, que, independentemente de servir ao chefe de plantão, tem a responsabilidade maior de esclarecer os fatos sem distorcer a verdade, apanágio da profissão. Consciente de que a imprensa, como dizia Ruy, é a vista da Nação, contei com o respaldo integral de Jatahy Fonseca para informar e explicar o que estava sendo entregue. Agora, quando estamos fazendo 30 dias sem aquele a quem chamei certa feita de presidente-operário, este despretensioso artiguete busca justiçar quem soube legar à Justiça da Bahia uma casa digna de acolhê-la. No lugar dos justos, onde certamente está, ele seguramente festeja o acerto de sua pertinácia e desassombro, bastando recordar que, pouco tempo depois de seu maior legado ter sido injustamente alvo de julgamentos precipitados, um novo prédio veio a ser implantado como anexo à grande obra que deixou. A justiça tarda, mas não falha. Felizmente.    

 

* Francisco Carvalho é jornalista

 

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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