Eu vi Búzios no TCA
8 de novembro de 2016, uma terça-feira. Estávamos na sala principal do Teatro Castro Alves, o nosso TCA, assim chamado. A grande casa de espetáculos da América Latina. O teatro que carrega o nome do condoreirista romântico Antônio de Castro Alves, o poeta que denunciou o tráfico nos navios negreiros: "Legiões de homens negros como a noite... Negras mulheres”, descreveu o imortal.
Mas era uma noite diferente, pois chegavam ao grande teatro muitos meninos e meninas das escolas públicas da cidade do Salvador. Chegavam crianças e idosas, gente de todo lugar. De repente parecia que o TCA tinha se transformado numa grande escola para a eloquente aula de cidadania que se anunciava: A História da Revolta dos Búzios. Era a propagação de um conteúdo cuja discussão historicamente foi protagonizada pela militância do movimento negro.
O TCA estava lotado de gente curiosa, de gente acostumada a ir ao Campo Grande, oficialmente denominado Praça 2 de Julho, numa justa homenagem aos heróis e heroínas da vitória da Independência da Bahia.
Pois, foi bem ali em frente aos caboclos e caboclas do 2 de Julho, instalados naquela Praça, que a sociedade baiana e o governo do Estado homenagearam os heróis e heroínas da Revolta dos Búzios: um movimento revolucionário pela democracia, por uma república sem escravidão, por uma constituição soberana e pelo fim do absolutismo. Tal qual a Revolução Francesa de 1789. A diferença é que a nossa Revolução não foi contada pela história oficial.
Os revoltosos de Búzios receberam, da elite de então, um tratamento cruel. Seus líderes foram presos, condenados à forca e seus corpos foram esquartejados, com pedaços jogados nas ruas de Salvador, também num dia 8 de novembro, em 1799. Tudo muito parecido com o que aprendemos sobre Tiradentes, um herói que tem um dia destacado no calendário de datas nacionais. Diferentemente do tratamento dado aos negros enforcados na Bahia.
O governo da Bahia, numa ação coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e participação de várias secretarias de Estado, pautado e orientado pela legitimidade do movimento negro, lançou no palco do TCA o Novembro Negro. Um conjunto de ações afirmativas para celebrar o mês da consciência negra. Atividades que integram uma agenda nacional escrita para reparar as injustiças cometidas contra parte considerável do povo brasileiro. Injustiças que foram combatidas por Zumbi dos Palmares, denunciadas pela Revolta dos Búzios e contra as quais nos colocamos neste nosso tempo.
Terça-feira, 8 de novembro de 2016, um encontro ancestral da gênese revolucionária brasileira: de um lado, o secular monumento aos caboclos e caboclas da Independência da Bahia e do Brasil. Do outro, bem em frente, a expressão contemporânea do Bando de Teatro Olodum, dos Filhos de Gandhy, do Ilê Aiyê, do Muzenza, do Ókambí, do Malê Debalê, do Cortejo Afro, Bloco da Capoeira, além da voz emblemática de Lazzo Matumbi. Contando a história da Revolta dos Alfaiates - a história de Búzios.
No centro dessa conversa de heróis mais velhos, eu vi os olhos e corações da juventude baiana. Eles pareciam pedir licença para segurar o bastão e seguir na luta por justiça e reparação.
Eu vi Búzios no TCA.
Mas era uma noite diferente, pois chegavam ao grande teatro muitos meninos e meninas das escolas públicas da cidade do Salvador. Chegavam crianças e idosas, gente de todo lugar. De repente parecia que o TCA tinha se transformado numa grande escola para a eloquente aula de cidadania que se anunciava: A História da Revolta dos Búzios. Era a propagação de um conteúdo cuja discussão historicamente foi protagonizada pela militância do movimento negro.
O TCA estava lotado de gente curiosa, de gente acostumada a ir ao Campo Grande, oficialmente denominado Praça 2 de Julho, numa justa homenagem aos heróis e heroínas da vitória da Independência da Bahia.
Pois, foi bem ali em frente aos caboclos e caboclas do 2 de Julho, instalados naquela Praça, que a sociedade baiana e o governo do Estado homenagearam os heróis e heroínas da Revolta dos Búzios: um movimento revolucionário pela democracia, por uma república sem escravidão, por uma constituição soberana e pelo fim do absolutismo. Tal qual a Revolução Francesa de 1789. A diferença é que a nossa Revolução não foi contada pela história oficial.
Os revoltosos de Búzios receberam, da elite de então, um tratamento cruel. Seus líderes foram presos, condenados à forca e seus corpos foram esquartejados, com pedaços jogados nas ruas de Salvador, também num dia 8 de novembro, em 1799. Tudo muito parecido com o que aprendemos sobre Tiradentes, um herói que tem um dia destacado no calendário de datas nacionais. Diferentemente do tratamento dado aos negros enforcados na Bahia.
O governo da Bahia, numa ação coordenada pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e participação de várias secretarias de Estado, pautado e orientado pela legitimidade do movimento negro, lançou no palco do TCA o Novembro Negro. Um conjunto de ações afirmativas para celebrar o mês da consciência negra. Atividades que integram uma agenda nacional escrita para reparar as injustiças cometidas contra parte considerável do povo brasileiro. Injustiças que foram combatidas por Zumbi dos Palmares, denunciadas pela Revolta dos Búzios e contra as quais nos colocamos neste nosso tempo.
Terça-feira, 8 de novembro de 2016, um encontro ancestral da gênese revolucionária brasileira: de um lado, o secular monumento aos caboclos e caboclas da Independência da Bahia e do Brasil. Do outro, bem em frente, a expressão contemporânea do Bando de Teatro Olodum, dos Filhos de Gandhy, do Ilê Aiyê, do Muzenza, do Ókambí, do Malê Debalê, do Cortejo Afro, Bloco da Capoeira, além da voz emblemática de Lazzo Matumbi. Contando a história da Revolta dos Alfaiates - a história de Búzios.
No centro dessa conversa de heróis mais velhos, eu vi os olhos e corações da juventude baiana. Eles pareciam pedir licença para segurar o bastão e seguir na luta por justiça e reparação.
Eu vi Búzios no TCA.
* Fabya Reis é secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
