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Artigo

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Triste Bahia!!!

Por Davidson Botelho

Foto: Acervo pessoal
Esta frase intitula uma música do cantor e compositor Caetano Veloso, que para mim é um dos baianos mais ilustres.
 
Discordo desta afirmação quando a transporto para os aspectos naturais que esta terra tem e por um sentimento de alegria que esse povo vive, por mais que seja superficial ou falso.
 
A nossa tristeza verdadeira está na completa falta de educação de uma parcela significativa da nossa sociedade independentemente da camada socioeconômica que esta pertence.
 
Sou um frequentador assíduo do trecho Ondina-Barra para minhas caminhadas ou corridas quase diárias e tenho observado o comportamento das pessoas que ali como eu utilizam o espaço para seu lazer.
 
Primeiramente parabenizo o prefeito pela bela reforma e entrega de um equipamento belíssimo para os moradores e turistas. Mas pecamos muito por não disponibilizar um MANUAL DE UTILIZAÇÃO. Isso mesmo, precisa de um MANUAL DE UTILIZAÇÃO, pois a nossa educação nos limita a determinadas práticas e somente com um capital intenso de ensinamentos ou adestramentos poderemos viver numa sociedade no mínimo aceitável.
 
Pessoas passeando com seus cães e não são poucas que os deixam soltos (cães grandes e pequenos), colocando crianças e até adultos em riscos, cães fazendo necessidades fisiológicas no calçadão e as beldades não entendem que todo cocô tem um dono e isso é uma questão de saúde pública. Sobre este assunto tenho duas passagens interessantes:
 
Numa oportunidade participei de uma conversa com alguns “intelectuais” que ali frequentam e um deles disse: “Assim como no Central Park, a prefeitura deveria disponibilizar saquinhos plásticos para que os donos dos cães pudessem usar para coletar as fezes de seus cães”. Não me contive e disse: “Assim como no Central Park, o dono do cão que for flagrado deixando o cocô do seu animal em locais públicos será multado em USD 1.000,00, e caso se repita este animal (o dono), será preso”.
 
Na segunda passagem, chamei atenção de uma senhora que percebi que por várias vezes ela passeava com seu cãozinho e o mesmo deixava suas bolotinhas em via pública. “Senhora, não é justo todos os dias a senhora trazer seu cão pra cagar a calçada toda e ficar essa imundice”. Ela respondeu: “Relaxe, tem quem limpe. Se não tiver sujeira não geram emprego para os garis”. Não me contive e dei na lata: “Seguindo este seu raciocínio, sugiro que a senhora morra para mantermos os empregos dos coveiros!”.
 
Agora estamos enfrentando uma onda de disputa para saber de quem é o espaço, ou de quem é a prioridade. Por ser um calçadão, entendo eu ser prioridade dos pedestres, crianças brincando, etc... Mas agora tem uma tendência das grandes metrópoles que são os “bikers”.
 
Os tais “bikers” se sentem donos do espaço andando em grupos ou bandos (talvez isso seja mais apropriado para os que não saibam o que é cidadania), em bicicletas possantes e que podem custar mais caras que um bom carro (isso prova que educação e cidadania a nada tem a ver com dinheiro), em alta velocidade, apitando pra que todos saiam do seu caminho mesmo sendo num calçadão. São homens e mulheres aparentemente de bom nível cultural e que durante suas jornadas diárias mudam de papel e são vítimas de ônibus no trânsito, carros nas faixas de pedestres, mas nas noites que se reúnem em bando parecem que desejam a vingança da falta de cidadania que sofrem em outras oportunidades. Só neste trecho que frequento, já presenciei mais de cinco acidentes provocados por “bikers” em alta velocidade, atropelando crianças, idosos ou até corredores. Em um dos acidentes um senhor levantou a possibilidade de nos reunirmos para fazer um documento a prefeitura pedindo a instalação de quebra-molas no calçadão para coibir as bicicletas de transitarem em alta velocidade. Como é meu senhor? É o poste mijando no cachorro? Quebra-molas é recibo de papel passado de uma sociedade ignorante e mal-educada. Este equipamento só existe porque as pessoas não respeitam as leis.
 
Em um dos acidentes chamaram um preposto da Transalvador para ajudar na notificação. De imediato aquele representante do poder público disse que este tipo de acidente não pertence a jurisdição do órgão ao qual ele trabalha. A Transalvador cuida do ordenamento do trânsito de veículos motorizados e em vias automotivas.
 
Chamaram a Guarda Municipal e esta disse que o seu papel é o zelo do patrimônio público e a ordem naquela via.
 
Partiram pra chamar a PM que fica ali derretendo duas vans nesse salitre infernal da nossa cidade, mas este também se absteve da responsabilidade alegando que eles cuidam da segurança pública, roubos, furtos, briga de marido e mulher, puxão de cabelo, dedada, dedo no olho e os cambal a 4.
 
Fiquei a pensar: somos sectários até no trato dos problemas. Já temos delegacia da mulher, delegacia de combate a roubos a coletivos, grupo de combate a roubos a bancos, delegacia do turista. Precisamos agora criar a delegacia do homem, do negro, do branco, delegacia de combate aos crimes contra os gays, lésbicas e transexuais. PQP, isso aqui é o inferno e só eu ainda não sei.
 
Outra coisa que me deixa intrigado é o uso da ciclovia que deveria ser exclusiva para bicicletas (se eu não estiver doido, isso deveria ser o correto), por corredores, pais com carrinhos de bebê, pessoas passeando na maior calma, skatistas, etc... Parem o mundo que eu quero descer, pois não aguento tanta falta de educação e cidadania.
 
Ontem vi uma cena inusitada. Tudo na vida precisa e deve ter uma regra para que haja fluência nas coisas. Assim como no trânsito, os carros transitam pelo lado direito e os que transitam no sentido contrário sempre passam pela sua esquerda. Não seria lógico na calçada obedecer essa mesma regra? Pois bem, ontem dois corredores em sentido opostos se bateram e começaram um bate-boca que quase acaba em porrada, cada um queria ter sua razão, mas o lógico é lógico e não tem o que se discutir, apenas cumprir.
 
No calor do debate e quase porrada, uma criatura defere o seu comentário: “A culpa é da prefeitura que não põe placas educativas e sinalização pra orientar”. Realmente a culpa é da prefeitura por permitir animais como a senhora transitar em vias públicas sem um dono. (“Receba sacana, 2x0 pra mim”)
 
Em pleno Farol da Barra, num domingo de sol e a praça lotada, três lindinhos simplesmente estavam a praticar um esporte muito comum nas praias da Califórnia, o Disco Fly. Imaginem num local cheio de pessoas e essas almas arremessando um disco de plástico em alta velocidade, cortando o vento, seus cabelos e possivelmente seu pescoço e a Polícia e a Guarda Municipal ao lado, convivendo com tudo isso e ainda alegando que o espaço é público e democrático onde todos têm o mesmo direito. Eles têm o direito e arremessar um disco em público e eu tenho o direito de receber uma chapuletada. É isso mesmo produção?
 
Depois que inventaram essa tal da democracia plural, o mundo virou uma verdadeira ditadura!


* Davidson Botelho é empresário

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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