RECUPERAR ESTRADAS É RECUPERAR O BRASIL

Paulo Cesar Bastos
É fato público e notório o estado lamentável em que se encontra a maior parte das estradas brasileiras. Um absurdo, devido à sua função estratégica, uma vez que a maior parte do transporte brasileiro é rodoviário. Portanto, a recuperação das estradas é de extrema necessidade. Existe, no entanto, uma realidade que, também, deve ser conhecida. A recuperação das estradas é um das soluções de maior eficácia para a geração de emprego e renda de que tanto carece a nossa sociedade. A usina de asfalto pode ser a usina geradora de emprego. A compreensão de importante fato é simples.
A recuperação das estradas, já na fase inicial de projeto, reativaria a excelente engenharia consultiva brasileira. Surgiria o emprego para o engenheiro, de projeto e de campo, o topógrafo, o laboratorista, o sondador, o cadista, a secretária, a digitadora, o motorista, a moça do café, o servente, etc.
Elaborado o projeto de recuperação rodoviário, ele passaria a ser o projeto do trabalho. Começaria a ser montada a usina geradora de emprego e renda. A construção rodoviária brasileira, de nível internacional, traria, novamente, ao mercado de trabalho os engenheiros, os topógrafos, os encarregados, os técnicos, os operadores de máquinas, os eletricistas, os pedreiros, os carpinteiros, os armadores e os serventes.
A lista de emprego é mais extensa. Surgem empregos para todos, para o médico do trabalho, o administrador, o contador, o sub-empreiteiro, o caçambeiro, o carregador, o trabalhador rural da cerca e da roçagem, o vendedor, a moça do mingau, a senhora da pensão, a lavadeira, o dono da venda, o vendedor de geladinho e picolé. Enfim, todo mundo vai ganhar, do doutor ao mais simples trabalhador.
Criar-se-ia um verdadeiro êxodo para o interior, desafogar-se-iam os grandes centros urbanos e seriam estabelecidas condições para se fixar o homem na zona rural com emprego e renda. Proporcionar-se-ia uma melhoria nas feiras livres e o crescimento do comércio nas vilas e povoados ao longo do traçado. A estrada vai passando, mas o desenvolvimento ficaria.
Além do já dito, existem muito mais conseqüências que surgiriam da estrada recuperada: barateamento de fretes e passagens, implicando redução de preço de diversos produtos; conforto e segurança para os usuários e rapidez fundamental para escoamento dos produtos rurais perecíveis.
Surge, porém, a grande questão da fonte dos recursos. As dificuldades econômicas e financeiras do País estão estampadas nos jornais e são sentidas na pele pela população. É preciso que alguém, pessoa ou organização, tome a iniciativa do debate sobre um problema que poderia ser uma solução. Que seja o novo mandato do governo federal, os novos estaduais, as uniões municipalistas, o Parlamento, o sistema Confea/Crea, os sindicatos patronais e de trabalhadores da construção e do transporte rodoviários, os sindicatos de produtores e trabalhadores rurais, as associações de engenharia, do comércio e da indústria.
A discussão sobre o assunto deve ser prática e objetiva; são necessárias soluções rápidas, mas não apressadas, que nos conduzam a um caminho equilibrado envolvendo privatização, parcial, e o uso público das estradas. Urge uma tomada de posição a favor do Brasil.
Recuperar estradas é recuperar o Brasil.
Paulo Cesar Bastos é engenheiro Civil e pecuarista
