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Artigo

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O Brasil precisa de mais mulheres na política

Por Fátima Nunes

Foto: Divulgação
O Brasil avançou bastante na relação entre igualdade de gêneros, apesar de ainda se verificar no País muitos casos de violência contra as mulheres. As mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho, ainda que enfrentem o preconceito em muitas funções onde as pesquisas indicam salários abaixo dos que recebem os homens; têm maior participação social e são as mais preocupadas com a educação, ficando mais tempo nos bancos escolares e também buscando melhor capacitação.

São avanços consideráveis diante de uma realidade mundial onde ainda são verificados casos gravíssimos de desrespeito aos direitos em países do Oriente Médio e mesmo entre as nações mais desenvolvidas. No entanto, na política, a participação feminina é pequena, apesar de bastante participativa.

As mulheres precisam de representação para trabalhar as políticas de gênero e ter voz ativa nos grandes debates municipais, estaduais e nacionais. Um exemplo da falta de representatividades está na Câmara Municipal de Salvador, onde, no universo de 43 vereadores, apenas cinco são do sexo feminino. Não muito distante, a Assembleia Legislativa tem apenas sete cadeiras, entre as 63 existentes. Na Câmara Federal, são apenas 10% (51) entre os 531 deputados federais.

Apesar de serem em maior número no País (51, 4% da população), as mulheres ainda enfrentam as dificuldades da desigualdade. Hoje, somos responsáveis pelo sustento de 37, 3% das famílias brasileiras. O eleitorado feminino é também maior do que o masculino, são 77 milhões de eleitoras, contras 68 milhões do sexo masculino. 

Os números apontam a necessidade de maior imposição das mulheres para que possam lutar com mais intensidade por seus direitos. Foi com muita luta que se conseguiu reduzir os números da violência, que ainda hoje colocam o Brasil como quinto colocado no ranking mundial. A Lei Maria da Penha, promulgada em 2006, iniciou a mudança da realidade do País, incentivando o número de denúncias, mas muito ainda precisa ser feito.

O Governo Federal vem incentivando a maior participação das mulheres na formulação de  políticas públicas e no empoderamento feminino. Por exemplo, Os programas sociais que tiraram 36 milhões de pessoas no País das condições de miséria, têm as mulheres como principais responsáveis pelas famílias. 

Cerca de 93% das famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família são chefiadas por mulheres, o que representa 12,9 milhões de famílias. Dessas,  288,9 mil são hoje inscritas como MEI (microempreendedoras individuais). Já com relação ao Programa Minha Casa Minha Vida, que já entregou mais de 2,5 milhões de unidades habitacionais no País, a prioridade na aquisição do imóvel é dada às mulheres, que são proprietárias de 89% dos imóveis. Essa medida visa justamente garantir os direitos delas e dos filhos nos casos de separação.

Esses são apenas alguns dados que nos levam à constatação de que as mulheres devem buscar maior participação na vida política do País, levando sua seriedade e sensibilidade às câmaras municipais, assembléias Legislativas e ao Congresso Nacional. Nossa proposta não é só pela ocupação de cargos, mas de interação, de ter voz, de sermos propositivas, representativas. O mundo atual não permite mais desigualdade ou preconceito com relação a gênero, raça ou condição social. Precisamos continuar a luta por um País mais justo e que dê condições iguais a todos os seus cidadãos. As mudanças foram iniciadas e cabe a nós garantir que continuem avançando.


* Fátima Nunes é deputada estadual (PT)

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