Para além do maniqueismo político, até quando o planeta e a humanidade suportarão uma educação para a ambição, sem consciência?
Já sabemos, através do método preciso pela ordem dos fatos da ciência, aliado ao rigor das deduções filosóficas, bem como as noções de moral, ética e estética elevada da religião, que o Ser Humano é um ser datado em sua origem, ou seja, surgimos como ser vivo em um determinado momento da existência; e como já é provado, pela ciência, que tudo no Universo se transforma, aprimora e evolui, ou seja, tudo tem princípio, meio e fim, em eterno devir, sustento através do rigor da dedução filosófica que não é loucura se perguntar: podemos estar acelerando a chegada do nosso fim enquanto humanidade, com esse modo de vida exploratório e competitivo vigente?
Começo refletindo com base na seguinte máxima: o caos social em que vivemos é produto do caos individual em nós latente.
Em considerando que a ambição tem como fundamento aquela ação mental que arbitra, que busca sempre unicamente assegurar-se, satisfazer-se e aprazeirar-se, percebe-se que a humanidade vive o dilema da verdade, inconsciente para muitos, porém bastante claro para aqueles que já atentaram para o fato insofismável de que o Ser Humano é causa e consequência, no que diz respeito aos dramas, traumas e tragédia na contemporaneidade.
Defendo a tese da doutora Maribel Barreto (2009) que sustenta: “educação, se atrelada à consciência, enquanto sistema deve favorecer a integração do ser humano para com o planeta, em todas as suas dimensões. Na proporção em que o mundo moderniza-se, a saúde não deve adoecer; a educação não deve extinguir-se; o ser humano não deve desintegrar-se; tampouco a sociedade deve anarquizar-se”.
Porém, nos parece que esse risco não é ficção, pois se trata da nossa realidade empiricamente percebida. É preocupante saber que dados dão conta que existem 60 milhões de meninas, jovens, adolescentes no planeta sem a educação formal, digo instrução básica e até mesmo profissional; de fato isso é dramático. Porém, nos preocupa também o outro fato de que não são os não instruídos por esse sistema de educação, sem a noção exata de consciência, que constrói a divisão de classe e concepção do poder excludente, a competitividade exacerbada; não são os não instruídos que constroem as armas, as tecnologias que dominam e subordinam; não são os não instruídos que constroem a guerra no mundo. Essas não são evidências do caos, a partir de nós, ditos educados, no atual mundo?
Porém, nos parece que esse risco não é ficção, pois se trata da nossa realidade empiricamente percebida. É preocupante saber que dados dão conta que existem 60 milhões de meninas, jovens, adolescentes no planeta sem a educação formal, digo instrução básica e até mesmo profissional; de fato isso é dramático. Porém, nos preocupa também o outro fato de que não são os não instruídos por esse sistema de educação, sem a noção exata de consciência, que constrói a divisão de classe e concepção do poder excludente, a competitividade exacerbada; não são os não instruídos que constroem as armas, as tecnologias que dominam e subordinam; não são os não instruídos que constroem a guerra no mundo. Essas não são evidências do caos, a partir de nós, ditos educados, no atual mundo?
Ao contrário da mera instrução, que por hora é vigente no sistema educacional como um todo, que favorece a construção da busca desenfreada pela ambição, cobiça e poder; a educação, aliada à consciência ontológica, favorece a integração, principalmente se levada à compreensão de que somos parte do Todo, e que ninguém é uma ilha isolada, ninguém vive em isolamento. Somos uma espécie física, psíquica e moral essencialmente relacional, e em eterno Devir.
Não é difícil a compreensão de que o ser humano, sem a educação do pensamento e o controle da mente e dos impulsos instintivos, é como touro selvagem; não difícil perceber que a pobreza espiritual do ser humano é diretamente proporcional ao tipo de “riqueza material” por ele produzida; não é difícil entendermos que a desordem tem sua ordem e que ela parte também de nós; não é difícil percebermos que a ciência política carece de novidades de cunho moderador, porquanto não pode haver sociedade organizada sem personalidade educada.
Vale à pena repetir, pois já escrevi sobre isso em outro artigo, quando a educação deixa de ser mantida como instrumento de integração para ser instrumento de instrução; o educador deixa de propor para impor; o conhecimento deixa de ter utilidade prática para ser uma mera informação esporádica, casual e irresponsável; a escola deixa de ser um ambiente propício ao autoconhecimento, à autorrealização, para ser um mero depósito de conhecimento e de entes humanos, onde uns fingem ensinar e outros fingem aprender; o educando deixa de ser a atividade-fim da escola para ser atividade-meio; e o currículo escolar não passa de uma estúpida mistura de impropriedades, irrelevâncias e fraudes, enfim, de puro tédio.
E em sendo assim, não faremos transformação alguma, porquanto, nosso comportamento passa a ser semelhante ao comportamento de um vírus; pois, o vírus vive agindo para destruir o corpo que lhe dá vida. Não é o que temos feito em relação ao planeta? Não é o que fazemos em relação aos semelhantes? Não é o que fazemos em relação aos animais? Estamos tratando tudo como “coisa”; e sendo tudo um mero objeto, nada tem alma, nada tem espírito, ficando em evidência a falta de percepção, no que se refere a noção exata de alma, consciência e Lei natural, para nossa evolução voluntária, e a vida se resume à busca da manutenção dos interesses meramente particulares, tendo como base de ação a corrupção, violência e a volúpia nas relações, conduzindo a vida desprovida da visão holística que é necessária para um novo equilíbrio no existir humano.
Temos, enquanto sociedade, o dever moral de não só produzir seres competitivos, solitários, ávidos pelo consumo, e em muitos casos de cabeça baixa a maior parte do tem, olhando os SMARTPHONES de ultima geração. É deveras importante, pari de nós seres colaborativos e solidários, porquanto nossa crise também é de relações, isso é função da consciência.
É triste a realidade que visualizamos, em que é notório ajudar por interesse, e não ter o interesse em ajudar. É triste a realidade quando a educação nos conduz a falsos princípios; a ciência é pervertida para servir a objetivos dúbios e destrutivos; bem como a cultura que, em vez de ampliar, estreita as nossas perspectivas, tempo em que cria e mantém ampliando a corrupção, violência e volúpia; e, nessa hora, demonstramos que o indicado pela noção exata de alma, de consciência e de Lei Natural para nossa evolução voluntária, não é mais ignorado, mas está completamente esquecido e/ou inobservado. Bom que se rediga. Daí todos nós corremos riscos e perigos inevitáveis e de prejuízos quase que irreparáveis.
Precisaremos ser rápidos nessa guinada, pois o futuro das gerações depende diretamente do que estamos fazendo agora. Precisamos de ações compreensivas e atitudes que transforme, a partir de nós, o mundo no qual estamos inseridos. Se há compreensão, então houve saber pensar; e se há saber pensar, então existe o saber agir; e é nessa ação que temos que focar, pois só a ação com base na consciência produzirá o novo; e o novo só pode vir através de nós; afinal, é dos inteligentes o bastante ter o inevitável, inesperado e imprevisível como grata rotina, e a consciência agradece. Portanto, é daqueles que não confundem ambição com ganância; impulsividade com sabedoria; bem como lentidão com paciência, o breve alcançar do saber, do poder e da glória. Isso não é romantismo, é ciência humana.
Tenho dito!!!
* Gel Varela, professor, músico, filósofo, Mestre em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social. Diretor da Fundação Ocidemnte
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
