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Artigo

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O Turismo e a crise

Por Lídice da Mata

Foto: Divulgação
Durante a abertura do 43º Congresso Nacional Abav, realizada em São Paulo, no último dia 24, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, disse que o governo poderia dar mais atenção ao setor.
 
Em seu discurso, Alves defendeu que o Turismo deve entrar de vez na agenda política do país. Segundo ele, nenhum outro segmento tem tanta capilaridade, que gera renda e emprego rapidamente e pode ser hoje a principal ferramenta para enfrentarmos a crise do país. 
 
As palavras do ministro estão absolutamente corretas, mas seu discurso é praticamente o mesmo de todos os seus antecessores, que não conseguiram fazer com que o setor entrasse na pauta dos núcleos decisórios dos governos federal, estaduais e municipais.
 
Se analisarmos os números, veremos que a cadeia produtiva do Turismo, que tem mais de 50 elos, gera quase 4 milhões de empregos diretos no País, perfazendo-se na nossa 5ª atividade econômica. Em estados como a Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco, o setor responde por mais de 6% do PIB.
 
Podemos ir além, uma vez que em 2013 a OMT registrou mais de 1 bilhão de viajantes em todo o mundo. Desse total, a Europa concentrou 51,85% dos viajantes, enquanto que a América do Sul, figura em último lugar com 2,52% do total de viajantes. 
 
Diante de dados tão pujantes em uma economia tão combalida, o Governo poderia tomar medidas relativamente simples para impulsionar parte desta atividade.
 
A primeira delas seria a flexibilização dos vistos para os visitantes de países com alta capacidade de emissão de visitantes, a exemplo dos Estados Unidos. Com o dólar acima de R$ 4,00, o Brasil poderia obter ganhos significativos com a atividade, uma vez que estamos às vésperas de um megaevento esportivo que são os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no próximo ano.
 
Além da flexibilização dos vistos, outras ações têm sido apontadas pelos diversos representantes do trade turístico como importantes para alavancar o setor. Entre elas, o fortalecimento das cadeias produtivas que compõem o turismo brasileiro, com a sua desoneração; melhorias na infraestrutura dos aeroportos, portos, acessibilidade e hotelaria; desburocratização na liberação de recursos para investimentos; diminuição da carga tributária; e investimentos na qualificação e capacitação de profissionais.
 
O turismo como atividade econômica tem se mostrado importante gerador de renda. Porém, para que possa gerar efeitos positivos, deve ser planejado de forma a não acarretar a degradação do meio ambiente ou a concentração dos benefícios gerados por grandes grupos econômicos, daí a importância do planejamento da atividade por profissionais habilitados e capacitados, sejam agentes de viagem, turismólogos e outros trabalhadores do setor.
 
Outro ponto que considero importante é a implantação, no Brasil,  da Conta Satélite, uma importante ferramenta adotada pela OMT  e que permite uma análise mais apurada sobre os gastos de turistas nas localidades e seus impactos na economia. 
 
Na Bahia, muito se avançou nos anos 90 e mais recentemente com a implementação da estratégia denominada Terceiro Salto do Turismo, com incentivo à qualificação profissional e criação de novos produtos e serviços, mas temos algumas questões concretas a aprimorar, como, por exemplo, a realização de Feiras Náuticas e de investimentos para a construção de novas marinas, que favorecerão a geração de emprego e renda.
 
A promoção também precisa ser reforçada com a divulgação principalmente nos países vizinhos e naqueles que possuem voos diretos, como forma de incrementar a circulação de turistas em nosso país.
 
Apesar dos muitos desafios, o turismo é um dos curtos caminhos para driblarmos as mazelas da crise.


* Lídice da Mata é senadora pelo PSB-BA e vice-presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo

* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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