Para a prefeitura de Salvador, primeiro os ricos
O deputado Pablo Barrozo (DEM) publicou aqui texto ligeiramente reciclado do que já havia saído no diário da família do seu chefe, certamente a mando deste. Quero fazer algumas considerações.
Nestes dias de inverno, nada melhor do que se encolher debaixo das cobertas quando o dia começa a nascer e desfrutar dos últimos minutos de sono deixando-se embalar pela sinfonia da chuva na janela do quarto. Quem não gostaria de prolongar esse momento por horas a fio? Muita gente, é certo! Infelizmente, esse é um sonho para poucos na Salvador atual.
Para a maioria da sua população, chuva é sinal de preocupação e angústia. Mães e pais de família temem perder, encosta abaixo, seus pertences, suas casas, seus filhos e parentes queridos, sua própria vida... De fato, nossa capital, a primeira do Brasil, se entristece e se envergonha perante a Nação por ter entregado à morte mais de uma dezena de seus cidadãos, vítimas de deslizamentos, uma tragédia absolutamente evitável.
Fenômenos climáticos guardam certa imprevisibilidade, há de se reconhecer. Porém, seus ciclos são conhecidos pela humanidade há séculos. No riquíssimo cancioneiro nacional, o mestre Tom Jobim ensinou, e o prefeito ACM Neto não aprendeu que as águas de março fecham o verão. Clareza maior não há.
Acredito que nenhum alto mandatário do governo municipal guarde tanta malvadeza no coração que, conhecendo os conceitos meteorológicos elementares, tenha deixado deliberadamente as populações mais carentes à mercê das intempéries.
Faltou planejamento, escolha de prioridades, gestão moderna, vontade política. Enfim, faltou competência. Não se vê na prefeitura de Salvador aquele impulso - que lamentavelmente nem todos os governantes têm - de resolver em primeiro lugar os problemas das pessoas mais necessitadas. Nem mesmo o Plano de Encostas o prefeito entregou à Câmara Municipal!
Por que, em vez de atacar logo essa questão e evitar tanto sofrimento, o poder municipal preferiu primeiro fazer a toque de caixa obras na Barra e no Rio Vermelho, bairros onde moram algumas das famílias mais privilegiadas da cidade? Não tenho nada contra esses bairros belos, boêmios e históricos, nem contra seus moradores que têm os mesmos direitos de todos os soteropolitanos. O que quero dizer é que em uma cidade desigual como Salvador, a prefeitura deveria trabalhar para diminuir as diferenças sociais, jamais para agravá-las. Afinal de contas, o abusivo aumento do valor do IPTU anunciado logo no início da atual gestão atingiu ricos e pobres, bem como a indústria das multas que não perdoa os BMW e os Land Rover e muito menos os 1.0, pagos em inúmeras prestações. Os recursos saem de todos, mas retornam em maior parte para alguns.
A prefeitura de Salvador inverte prioridades, deixando à míngua quem mais precisa dela.
É muito triste.
Nestes dias de inverno, nada melhor do que se encolher debaixo das cobertas quando o dia começa a nascer e desfrutar dos últimos minutos de sono deixando-se embalar pela sinfonia da chuva na janela do quarto. Quem não gostaria de prolongar esse momento por horas a fio? Muita gente, é certo! Infelizmente, esse é um sonho para poucos na Salvador atual.
Para a maioria da sua população, chuva é sinal de preocupação e angústia. Mães e pais de família temem perder, encosta abaixo, seus pertences, suas casas, seus filhos e parentes queridos, sua própria vida... De fato, nossa capital, a primeira do Brasil, se entristece e se envergonha perante a Nação por ter entregado à morte mais de uma dezena de seus cidadãos, vítimas de deslizamentos, uma tragédia absolutamente evitável.
Fenômenos climáticos guardam certa imprevisibilidade, há de se reconhecer. Porém, seus ciclos são conhecidos pela humanidade há séculos. No riquíssimo cancioneiro nacional, o mestre Tom Jobim ensinou, e o prefeito ACM Neto não aprendeu que as águas de março fecham o verão. Clareza maior não há.
Acredito que nenhum alto mandatário do governo municipal guarde tanta malvadeza no coração que, conhecendo os conceitos meteorológicos elementares, tenha deixado deliberadamente as populações mais carentes à mercê das intempéries.
Faltou planejamento, escolha de prioridades, gestão moderna, vontade política. Enfim, faltou competência. Não se vê na prefeitura de Salvador aquele impulso - que lamentavelmente nem todos os governantes têm - de resolver em primeiro lugar os problemas das pessoas mais necessitadas. Nem mesmo o Plano de Encostas o prefeito entregou à Câmara Municipal!
Por que, em vez de atacar logo essa questão e evitar tanto sofrimento, o poder municipal preferiu primeiro fazer a toque de caixa obras na Barra e no Rio Vermelho, bairros onde moram algumas das famílias mais privilegiadas da cidade? Não tenho nada contra esses bairros belos, boêmios e históricos, nem contra seus moradores que têm os mesmos direitos de todos os soteropolitanos. O que quero dizer é que em uma cidade desigual como Salvador, a prefeitura deveria trabalhar para diminuir as diferenças sociais, jamais para agravá-las. Afinal de contas, o abusivo aumento do valor do IPTU anunciado logo no início da atual gestão atingiu ricos e pobres, bem como a indústria das multas que não perdoa os BMW e os Land Rover e muito menos os 1.0, pagos em inúmeras prestações. Os recursos saem de todos, mas retornam em maior parte para alguns.
A prefeitura de Salvador inverte prioridades, deixando à míngua quem mais precisa dela.
É muito triste.
* Vânia Galvão é vereadora de Salvador pelo PT
* Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
