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Artigo

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FOMENTO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA INTEGRADA E AMBIENTALMENTE SUSTENTÁTEL


Norberto Odebrecht

A qualidade e segurança de vida de milhões de pessoas no planeta caíram muito nas últimas décadas, em conseqüência da poluição, degradação ambiental, alterações climáticas, escassez de água e destruição de fontes naturais.

Essas ameaças exigem soluções e uma decisão inadiável, com mudanças na forma de abordar a questão da sustentabilidade. As políticas de desenvolvimento e investimento público devem conciliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental, promovendo sua sustentabilidade imediata.  Os modos de produção, de governança e de consumo devem ser alterados.

Atualmente, muitas comunidades e países já pagam um preço alto pelo atraso na determinação de prioridades de desenvolvimento sustentável. É preciso mudar a percepção da relação entre desenvolvimento econômico e natureza, acabando com o mito da sua incompatibilidade. Os principais prejudicados pelo mau uso dos recursos naturais são os pobres.

O modelo que pode reverter esta situação está pautado em um sistema de cadeias produtivas, estabelecidas a partir de Unidades-Família, organizadas em cooperativas. Ao gerar oportunidades de trabalho produtivo, as cadeias produtivas promovem o aumento e a distribuição digna de renda para as comunidades e municípios. E isso ocorre basicamente porque elas integram, de forma justa e adequada, os setores primário, secundário e terciário.

Agora, não basta criar e implantar uma cadeia produtiva. Ela não existe por si mesma. É fundamental que os cooperados em torno dela participem de todo o processo de formação da cooperativa, tornando-se os seus legítimos “donos” e a administrem sem paternalismo e com profissionalismo, contando com suas próprias forças. Uma cadeia produtiva bem-sucedida transforma trabalho em planejamento, músculos em cérebros e suor em mais conhecimento. Este é o seu papel mais importante no desenvolvimento de uma comunidade rural. Por isso, é necessário envolver ações fundamentais para o desenvolvimento harmônico não só do capital Produtivo, mas também dos capitais humano, social e ambiental de regiões que estão fora do eixo dinâmico da economia e ou que estão inseridas em áreas de risco ambiental.

O capital humano integra os valores, atitudes, conhecimentos e habilidades, que permitem às pessoas de uma comunidade desenvolverem seu potencial, aproveitarem as oportunidades que lhe são colocadas e se inserirem produtivamente no mundo do trabalho. O capital social é capacidade de uma comunidade formular objetivos comuns de longo prazo, de gerar coesão social em torno desses objetivos e de manter um propósito firme ao longo do tempo. O capital ambiental compreende os recursos advindos do meio ambiente que resultam do uso sustentável pelos seres humanos. Estes recursos devem promover uma interação entre o legado recebido da natureza pelas gerações presentes e aquele que precisa ser oferecido às gerações futuras.

Nesse contexto, algumas ações estão concretamente inseridas em um programa de grande juízo sócio-ambiental, replicável, que pretende tirar o povo da informalidade, erradicar a pobreza com distribuição justa de renda, reduzir as desigualdades sociais e estabelecer uma classe média rural.

Este programa, em andamento no Baixo Sul da Bahia, pretende, além de elevar a produtividade com trabalho digno, promover a cidadania dos excluídos, obter sustentabilidade, implantar um modelo de sociedade de confiança com transparência e responsabilidade, elevar os índices de educação, saúde e produtividade, fixar o Ser Humano na área rural, agregar as famílias e praticar uma agricultura ambientalmente correta.

Tratar os recursos hídricos para uso pesqueiro estuarino e continental, de abastecimento de água e geração de energia limpa, proteger e recuperar as nascentes dos rios e matas ciliares, implantar ações de seqüestro de carbono, promover o reflorestamento e conservar o meio ambiente, conciliando desenvolvimento econômico com proteção ambiental, são prioridades de ações ambientais.

Todos esses conceitos, presentes no circuito internacional, são casos práticos e concretos vigentes no Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do Baixo Sul da Bahia - DIS Baixo Sul, que ganha nova e importante parceria: o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID. O Projeto de Fomento da Produção Agrícola Integrada e Ambientalmente Sustentável é o reconhecimento do BID do impacto positivo da experiência, da consistência dos resultados já obtidos e do potencial de replicação dessas idéias e ações em todo o País.

Norberto Odebrecht é presidente de Honra da Oragnização Odebrecht e presidente do Conselho de Curadores da Fundação Odebrecht

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