A besta humana começa a despertar
A morte brutal da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, espancada até a morte por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo, revela o ápice do desrespeito, da intolerância e da transgressão dos direitos. Ela foi agredida a partir de um boato gerado por uma página em uma rede social, em que a apontava como autora de sequestros de bebês.
O nível de transgressão e intolerância assusta. E chega ao ápice da violência, como a que aconteceu em São Paulo, como um rastilho de pólvora que se espalha rapidamente e se torna incontrolável, tornando-nos irracionais, verdadeiras bestas humanas.
Nesta terça-feira (6) na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, comerciantes protestaram queimando pneus porque não aceitavam o disciplinamento do trânsito na região, feito por agentes da Transalvador. É que donos de oficinas transformam as ruas e calçadas em extensão das respectivas lojas. Dane-se quem tem que trafegar ou andar por ali. E não aceitam a ordem pública.
Na semana anterior, na BR-324, moradores de um povoado próximo a Candeias, fecharam os dois sentidos da rodovia porque não aceitavam que a empresa concessionária fechasse “roubadas” que causam acidentes e colocam em vida não apenas os transgressores, mas quem trafega normalmente pela rodovia. Em ambos os casos, a ordem social perde para a irracionalidade dos transgressores, que de forma intolerante se sobrepõem ao direito coletivo.
A relação dos dois episódios com a morte da dona de casa no Guarujá? Lá ocorreu o ápice dos estágios de intolerância e transgressões que convivemos no nosso dia a dia, onde não se buscam mais as instituições públicas para o cumprimento das leis, mas age-se por conta própria, quer seja em um protesto, quer seja em um linchamento.
Na medida em que busco fazer prevalecer os meus direitos - mesmo que flagrantemente danosos - sobre o direito, mesmo que, impondo-me pela, através do fechamento de vias, da destruição do patrimônio público ou mesmo do linchamento (justiça com as próprias mãos), revelo-me intolerante com o próximo e com tudo e todos. Busco apenas impor (meu e do grupo a que faço parte) o meu ponto de vista, mesmo que isto custe a vida do outro, ou que não leve em conta o direito do outro.
O nível de transgressão e intolerância assusta. E chega ao ápice da violência, como a que aconteceu em São Paulo, como um rastilho de pólvora que se espalha rapidamente e se torna incontrolável, tornando-nos irracionais, verdadeiras bestas humanas.
Nesta terça-feira (6) na Avenida Vasco da Gama, em Salvador, comerciantes protestaram queimando pneus porque não aceitavam o disciplinamento do trânsito na região, feito por agentes da Transalvador. É que donos de oficinas transformam as ruas e calçadas em extensão das respectivas lojas. Dane-se quem tem que trafegar ou andar por ali. E não aceitam a ordem pública.
Na semana anterior, na BR-324, moradores de um povoado próximo a Candeias, fecharam os dois sentidos da rodovia porque não aceitavam que a empresa concessionária fechasse “roubadas” que causam acidentes e colocam em vida não apenas os transgressores, mas quem trafega normalmente pela rodovia. Em ambos os casos, a ordem social perde para a irracionalidade dos transgressores, que de forma intolerante se sobrepõem ao direito coletivo.
A relação dos dois episódios com a morte da dona de casa no Guarujá? Lá ocorreu o ápice dos estágios de intolerância e transgressões que convivemos no nosso dia a dia, onde não se buscam mais as instituições públicas para o cumprimento das leis, mas age-se por conta própria, quer seja em um protesto, quer seja em um linchamento.
Na medida em que busco fazer prevalecer os meus direitos - mesmo que flagrantemente danosos - sobre o direito, mesmo que, impondo-me pela, através do fechamento de vias, da destruição do patrimônio público ou mesmo do linchamento (justiça com as próprias mãos), revelo-me intolerante com o próximo e com tudo e todos. Busco apenas impor (meu e do grupo a que faço parte) o meu ponto de vista, mesmo que isto custe a vida do outro, ou que não leve em conta o direito do outro.
E isso tem sido praticado com uma frequência cada vez maior. Nas ruas, nas reivindicações, na busca por justiça. O meu (nosso) direito termina quando começa o direito do outro (outros) é algo que parece fazer parte do passado. Mesmo que esse direito (do outro, outros) seja o de ir e vir, de não ter o patrimônio (público e privado) destruídos... de viver.
*Adilson Fonseca é jornalista.
