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Artigo

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Prefeitos precisam dar exemplo de que querem melhorar a educação

Por Francisco de Assis

Ao longo das últimas décadas, as escolas públicas perderam em qualidade de ensino no país inteiro porque houve uma migração da classe média para as unidades privadas. O poder de pressão sobre as autoridades por melhorias no sistema gerido pelos governos estaduais e municipais foi reduzido na proporção em que ocorreu essa migração, que foi extremamente danosa à educação brasileira.

Como prefeito de uma cidade de médio porte, acredito que existem intervenções concretas que devem ser tomadas por qualquer gestor para enfrentar o problema, a exemplo de investimentos na estrutura física e reforço pedagógico. Mas as ações simbólicas também são importantes para revertermos esse quadro.

Quando decidi tirar os meus dois filhos da rede privada para matriculá-los na escola pública, o meu objetivo foi dar o exemplo de que, por maior que seja o desafio, o prefeito tem um papel fundamental na tarefa de aprimorar a qualidade da educação e da formação intelectual de uma nova geração de brasileiros. Até porque cabe às prefeituras cuidar das séries iniciais. Fiz isso com a convicção de que essa atitude pode inspirar outros gestores a seguir o mesmo caminho.

Houve uma época no Brasil em que os filhos de políticos estudavam nas escolas públicas. O mesmo valia até para as classes mais abastadas, quando tínhamos uma educação pública com qualidade superior à privada. Mas hoje, os herdeiros dos políticos e da classe média procuram a rede particular porque houve uma queda na qualidade da educação pública no ensino médio e fundamental.

Cabe a nós, políticos, realizarmos ações concretas e simbólicas para mudar esse cenário. Por isso, ao mesmo tempo em que sou favorável à proposta provocativa do senador Cristóvão Rodrigues que obriga filho de político a estudar na rede pública, também estamos trabalhando em Coité para oferecer um ensino de qualidade. Obtivemos avanços como a implantação do ensino integral em 47 unidades e reforço das coordenações pedagógicas, além de promover reformas e ampliações e melhorar as condições salariais dos professores. A educação não é custo, e sim investimento.


*Francisco de Assis é prefeito de Conceição do Coité

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