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Artigo

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Reforma política e o futuro do Brasil

Por Alexandre Brust

Se Brizola ainda estivesse entre nós, neste 22 de janeiro, completaria 92 anos e, com toda certeza, estaria convocando as lideranças políticas para uma profunda reflexão sobre o atual modelo político caduco, superado, que faliu por falta de capital ético e por absoluta ausência de crédito moral, razão das crises político administrativas nos poderes Executivo, Legislativo e no Judiciário.

Este modelo, mantido pela democracia capitalista, transformou as eleições em meras disputas estatísticas, num concurso de rateio do Fundo Partidário e da distribuição do tempo de rádio e televisão, motivando a proliferação das legendas de aluguel. O processo é o mesmo desde o Império, mudou somente a forma de alcançar os resultados. Naquela época o poder mantinha o controle das eleições via qualificação do eleitor, atualmente a influencia poderosa, maléfica e corruptora do poder econômico domina o processo eleitoral.

Diante dessa eminente borrasca política, uma ameaça presente a nossa jovem e frágil democracia, porque só existe democracia forte com partidos políticos fortes e, atualmente sabemos todos fragilizados, o Velho Caudilho, com sua experiência, certamente proporia um pacto político pelo futuro das nossas instituições.

Não creio que nossos atuais políticos queiram ser condenados pelas novas gerações, pela omissão de salvaguardar as sagradas garantias do nosso povo, na formação de uma nação livre, independente e soberana, porquanto, a permanecer o atual “status”, de colônia portuguesa, já passamos a depender de mais de 30 países, através da espoliação de centenas de multi e transnacionais.
Sobrou para o nosso povo a Bolsa Família.

A sede insaciável do capital alienígena, todavia, não será saciada, enquanto não nos deixarem de tanga, pois essa é a lei da selva capitalista, essa é a sina dos colonizados. Vale, neste momento, lembrar um trecho do poema NO CAMINHO COM MAlA KÓVSKl, do escritor Eduardo Alves da Costa: "Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E Já não podemos dizer nada."

No futuro, a permanecer este modelo, os cientistas políticos e pesquisadores irão de debruçar na análise para descobrir os motivos que levaram o país a perder a sua autonomia política e econômica e descobrirão que nos entregamos ao capital alienígena, por falta de um modelo político que estancasse a hemorragia da nossa economia.

Uma conclamação às últimas lideranças nativas e patriotas, para o engajamento na premente e urgente Reforma Política, tem por escopo tratar-se da mãe de todas reformas necessárias à preservação da nossa autonomia, e à formação de um país livre, independente e soberano. O saudoso professor Darcy Ribeiro já pregava a necessidade de passar o Brasil a limpo.


* Hari Alexandre Brust é secretário-geral do PDT/BA

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