RIDICULARIZANDO A BAHIA

Isaac Marambaia
A crise do setor aéreo brasileiro se arrasta por mais de seis meses, sem nenhuma estratégia pública que possa garantir a mínima segurança aos usuários desses serviços. O sofrimento imposto à população, durante esse longo período, nos deixa atônitos diante da incapacidade e irresponsabilidade com que uma questão de tal importância está sendo gerenciada pelo estado brasileiro.
O nível de desinformação acerca dos gargalos que estão a provocar os apagões aéreos produz, na população, um sentimento de abandono e de descaso por parte das autoridades, inclusive do presidente da República, responsável maior sobre questões que tais.
Mas, o que também incomoda a nós baianos é vermos a figura do ministro Waldir Pires inteiramente alheio à gravidade da situação e a dar explicações desconexas, bem ao estilo do seu chefe. Um ministro com o desinteresse demonstrado por Waldir Pires não pode ser acionado para resolver assunto dessa gravidade.
No auge da crise, no dia 13/11/2006, ele cometeu o desatino de afirmar que não havia crise no setor do transporte aéreo brasileiro. Não satisfeito, ele arrematou: O que está ocorrendo são atrasos normais que acontece em qualquer aeroporto do mundo. Foi a prova cabal de a quantas andava o seu desconhecimento acerca do assunto, cuja competência é da esfera exclusiva do ministro da Defesa. Naquele exato momento o presidente deveria tê-lo exonerado, por ser claramente relapso com suas atribuições.
Após a desastrada declaração, o Ministério da Defesa continuou a sua rotina sem adotar medidas capazes de proteger o sistema de possíveis contratempos técnicos ou trabalhistas.
Nesse último apagão aéreo dos dias 30 e 31.03.2007 o ministro Waldir foi destituído informalmente das funções e do cargo, quando o ministro do Planejamento passou a negociar com os grevistas ou amotinados, em nome do governo Lula.
O "atuante" Waldir Pires não só aceitou a sua substituição nas negociações, como deu as costas para o problema que atormentava milhares de brasileiros e viajou para o seu apartamento na Avenida Vieira Souto, no Rio de Janeiro, para tratar de assuntos particulares.
Se existisse a figura da exoneração por justa causa, ela estaria por demais apropriada para o ministro Waldir Pires. Ao se aninhar em seu apartamento, no Rio de Janeiro, ele praticou o abandono de serviço em momento crítico, com o país vivendo o caos por problemas na sua área de competência.
O nome do ministro Waldir Pires chegou a ser anunciado, pelo próprio presidente, como que seria destituído em função do desgaste público, fruto da sua ineficiência. Vários prováveis substitutos foram sondados e convidados, mas declinaram da oferenda.
Waldir Pires continuou sendo fritado pelo presidente, mas, na falta de um substituto ponderou que estava decidido a mantê-lo em razão da sua biografia e dos atenuantes da idade e do sofrimento com a viuvez recente.
O instituto da biografia tem sido utilizado, de forma exaustiva e cínica por esse governo Lula, como meio de inocentar incompetentes e corruptos de todas as matizes. Funciona como um álibi que é oferecido a todos os companheiros em situação de descrédito e de desmascaramento ético. A biografia, feita por encomenda, presta-se como indulgência para ganhar benesses no reino petista.
Agora é assim: O presidente da República decide escolher ou manter um ministro não pela sua capacidade técnica e de gestão, mas pelo sentimento de pena, independente dos interesses do país.
O comportamento do presidente em relação ao ministro Waldir Pires desmerece a Bahia e os baianos, na medida que a permanência do seu auxiliar não está alicerçada na capacidade de contribuir para solucionar problemas da sua pasta, mas na relação partidária e pela compaixão.
A imagem edificada pelo ministro Waldir Pires, perante os olhos do país, é a de um político sem criatividade, com baixa produtividade, desinformado e indeciso. Quando se dispõe a falar ou a responder, ele carrega no "eu creio" e no "cidadãos e cidadãs”. Nos lembra o samba de uma nota só.
De resto, ficamos a assistir o cadáver de um homem público sendo carregado, de um lado para o outro e o defunto ainda que gratificado por não ter sido sepultado na primeira vala disponível.
A falta do bom censo e do amor próprio está visível e transparente para todos os brasileiros. Para nós baianos fica a sensação do ridículo. Lamentamos que o senhor Waldir Pires não tenha assimilado o princípio de que na vida há de se preferir a morte à ridicularização pública.Estão certos os espanhóis quando vaticinam, "Si queres conocer Carlito?, dele um carguito".
Isaac Marambaia é economista, consultor, foi vice-prefeito de Camaçari e deputado estadual em três legislaturas. maramba@uol.com.br
