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Artigo

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Divagar: o que eu sei fazer muito bem

Por Vítor Fernandes

Parafraseando o cantor pernambucano Otto: “enquanto lá é festa, aqui é dor, amor”. Não tem como uma pessoa sozinha carregar um fardo enorme e não tentar se livrar dele na primeira oportunidade que encontra. É assim todo dia e é sem parar. Mas logo vem a esperança e diz que com ou sem máscaras podemos ir para as ruas lutar, literalmente, para reencontrar o que se perdeu no passado. Os protestos continuam e estão longe de acabar, principalmente no sul do país, que vem registrando conflitos diários. O último grande foi no 7 de Setembro, nunca se fez um 7 de Setembro desses. Manifestações em quase todas as capitais brasileiras e em diferentes municípios do interior, dando uma amostra de que agora ninguém vai adormecer.
 
Se no artigo anterior eu citei o vandalismo em alguns atos de rua por manifestantes, dessa vez com maior ímpeto cito os atos insanos de poucos agentes da Polícia Militar do país que chegaram a agredir uma colega fotógrafa enquanto cobria as manifestações em Brasília. Caso que foi parar nos sites internacionais. A foto tirada por um colega mostra a fotógrafa se esquivando enquanto oficias lançam spray de pimenta para todo lado. A cena se repetiu em outras pessoas também. Em um vídeo divulgado na internet, um capitão da PM do Distrito Federal aparece jogando indiscriminadamente spray de pimenta em manifestantes na Esplanada dos Ministérios, e depois diz que fez aquilo “porque quis”.
 
Com uma câmera na mão, uma pessoa questionou o policial militar sobre o fato de ter sido agredido com o spray sem motivo e sem ter passado do limite estabelecido pela PM. O capitão responde: “Porque eu quis. Pode ir lá e denunciar, tá bom? Capitão Bruno, BP Choque”. Isso mesmo. Autoridade máxima falando, até parece aqueles filmes americanos onde o herói além de idiota é prepotente para caramba. Mas foi isso que a famigerada ditadura militar nos deixou. São esses resquícios que fazem a gente ter náuseas e perceber que somos uma democracia com ideais e conceitos ditatoriais.
 
Isso me fez lembrar que posso ainda citar minha experiência na primeira oitiva dos deputados que foram cassados durante o regime militar. Ouvi muitos relatos e me impressionou a forma arrogante e também prepotente como os agentes da ditadura agiam. Se contrariasse morria! Mas imagine a cena onde oficiais do exército invadem sua casa e levam seu avô preso. Quando chegam ao camburão os oficiais percebem que prenderam o cara errado. Voltam e fazem a troca. Isso é só um simples detalhe das trapalhadas truculentas vividas na ditadura na Bahia. Era levado e mantinham a família em cárcere privado, exposta a todos os tipos de constrangimentos. Teve uma frase que me marcou muito, onde um professor disse para um dos filhos do preso político: “Essa menina tem uma inteligência demoníaca”. Veja se pode isso!?
 
Aconteceu com a família do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Salvador, Marcelo Duarte, que foi ouvido por parlamentares da Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa da Bahia, no dia 11 de setembro. Eu, como jornalista, fui cobrir o evento e assessorar a primeira oitiva junto com colegas de trabalho e ouvi a história da confusão e da perseguição que a família Duarte viveu na época do regime ditatorial. Tem ACM inclusive como um dos nomes citados como perseguidor, já que Marcelo não “se vendeu” e tinha todo o apoio da juventude da época.
 
A intenção da Assembleia é devolver os mandatos de 13 parlamentares cassados na época de forma simbólica. Essa é uma forma, a meu ver, de retificar um erro e novamente voltar a vislumbrar um Brasil sem mentiras, e de que a justiça seja feita para todos, independente do cargo que você ocupe ou da riqueza que tenha. Na Bahia, tenho começado a conhecer partes, fragmentos de histórias perdidas que talvez nunca nossos filhos vão saber. Casos de atos reacionários que beiram o absurdo, mas que até hoje a gente ainda observa em todos os lugares e somos cúmplices por manter essa condição.
 
Para situar um pouco e sair desse período sombrio, é bom lembrar que não teremos horário de verão, que o preço da gasolina continua subindo, que se até o Patriota está sendo demitido, imagine o que vai acontecer com que não é!? E tem mais piadas sem graça: Os Estados Unidos vão atacar a Síria, e continuam espionando o Brasil e a presidente Dilma. Segundo ela, a espionagem é só para fins econômicos, por isso até a Petrobras foi citada. Isso eu não sei, mas que Obama fica de olho em tudo, fica. Deve ter até uma daquelas TVs de 84 polegadas em 3D que ele fica maquinando tudo que vai criar de informação mentirosa para atacar esse ou aquele país. O fim de tudo desde sempre foi e é a crise, “Basta fazer uma guerra que está tudo resolvido”. Até parece!
 
Então tudo bem, vou tentando ficar por aqui, é tanta informação que quando você pára para escrever as ideias ficam escapando. Mas logo a gente amarra elas e volta para o começo que foi divagando onde tudo começou. Mesmo sem perder a ternura é possível sim curtir e compartilhar um daqueles velhos rock n’roll.
 

*Vitor Fernandes é jornalista e assessor de comunicação

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