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Artigo

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ETIQUETA COM ESTRANGEIROS: NEGOCIANDO COM CHINESES


Edvalda Bomfim

Quando um homem de negócios português disse a um empresário
brasileiro que se atrasou  porque “tinha estado em uma bicha (fila)”, o
colega fez um ar de embaraçado... e, quando um executivo inglês
falou a um importante parceiro comercial de Hong Kong que chovia
“cats em dogs” (literalmente gatos e cães), o chinês precipitou-se
para a janela para observar o fenômeno. (AMARAL,Isabel, 2000),
p.(34).

São situações como estas que nos levam a refletir que, diante das tendências internacionalistas dos dias atuais, a capacidade apenas de expressão em línguas estrangeiras, já não atende às exigências do mundo dos negócios e nos faz pensar sobre a crise civilizatória que vive a sociedade atual, decorrente da internacionalização do mercado, do processo de globalização e do avanço das tecnologias. Esse novo cenário acena para a formação de um cidadão que passa a ser do mundo, onde sua cultura precisa ser internacionalizada – passando a ser nacional e internacional ao mesmo tempo.

Por isso que, nos dias atuais, há uma formidável busca de um conhecimento mais abrangente e de que nos apropriemos de novas formas de informação e comunicação intercultural. Nesta aventura global, conhecer algumas regras de conduta e peculiaridades que prevalecem em alguns dos grandes mercados internacionais, propicia que, sempre que a necessidade se apresente, a interlocução se estabeleça com mais facilidade, consideração e com menos interferências.

É óbvio que não é com poucas linhas que se fica conhecendo com profundidade determinada realidade. Mas, a memorização de alguns códigos e, sobretudo o respeito às diferenças que separam povos e nações, culturas e continentes, ajudam a ultrapassar as barreiras na comunicação para que resultados desejados sejam alcançados.

Da mesma maneira como a China, segundo matéria publicada na revista “Veja”, edição 1968 – ano 39 –, de 9 de agosto de 2006, intitulada “Uma Vitrine para o Mundo”: “com obras monumentais realizadas em tempo recorde e campanhas patrocinadas pelo governo para ensinar  boas maneiras à população, a China quer aproveitar as Olimpíadas 2008, que irá sediar, para impressionar o planeta com seu projeto de grandeza”, o mundo dos negócios, no ocidente, também, prepara os seus executivos para saberem lidar com as sutilezas dessa sociedade que preza a harmonia, o consenso e é, acima de tudo, fiel às regras que norteiam os seus rituais, a etiqueta e o protocolo. Algumas particularidades devem ser observadas no trato  com entidades e empresários chineses, entre elas:

• Cumprimentos: a etiqueta chinesa proibia qualquer contato físico e eles continuam a cultivar a distância. Cumprimentam-se entre si apertando as próprias mãos. Ainda hoje só dão apertos de mãos aos estrangeiros e apenas quando são a eles apresentados. Apertam as mãos e inclinam a cabeça ao mesmo tempo. A cultura chinesa trata com deferência as pessoas mais velhas e por isso, mesmo que se trate de uma reunião de negócios, a equipe é sempre alinhada a partir da pessoa mais velha até os mais novos e os cumprimentos devem ocorrer nesta ordem;
• Formas de tratamento: os sobrenomes chineses vêm à frente do nome, diferenciando-se do Brasil e outros países. Um reflexo da cultura coletivista chinesa: o nome de família é mais importante que o nome individual. Valorizam muito o título acadêmico, que é seguido do sobrenome. Apesar da China ser um País de regime comunista, o estrangeiro não deve  tratar ninguém por Camarada;
 Cartões de visita: é um instrumento de trabalho imprescindível. Ao serem entregues são recebidos pelos chineses com as duas mãos e observados com toda atenção, visto tratar-se de um País onde a hierarquia é cultivada em todos os aspectos. Nunca deve ser entregue com a mão esquerda, pois em toda a Ásia esta mão é tida como impura;
• As negociações: são longas e precedidas de muito chá e simpatia. Enquanto para o norte americano, “tempo é dinheiro”. Para os chineses, “tempo é tempo” e “dinheiro é dinheiro”. Eles acreditam que a paciência é sinônimo de caráter forte, sendo um valor agregado a qualquer negociação. Ao mesmo tempo em que seguem o protocolo com toda rigidez, lançam mão das leis do “feng shui” e da astrologia antes de tomarem qualquer decisão. Mesmo que haja um intérprete, não se deve falar a olhar para ele, mas para o chefe da delegação chinesa, mesmo que este não esteja entendendo uma só palavra do que está sendo dito. Na China, nunca se deve olhar fixamente para os olhos da pessoa com quem se fala, a menos que o propósito seja embaraçá-lo e pode ser interpretado como um confronto hostil. O sorriso também, naquelas paragens, não é sinal de alegria ou simpatia, mas de constrangimento.
• A troca de presentes: faz parte do ritual da negociação. Mas, ao ser recebido, não deve ser desembrulhado na presença de quem o ofereceu. A cor do papel também deve ser pensada previamente, pois as cores na China têm um código simbólico muito complicado. O branco e o azul cobalto, por exemplo, são associados ao luto e ao cemitério, devendo ser evitadas mesmo em embrulhos, enquanto que o dourado é uma cor muito apreciada. Assim como, nunca devem ser oferecidos quatro objetos, sejam eles flores, livros, etc., pois o ideograma que representa a palavra quatro “shi” é igual ao da palavra morte. Da mesma forma, não se deve oferecer um relógio, mesmo que seja um chique “Rolex”, pois, para eles significa a contagem do tempo para a morte ou assistir um parente moribundo;
• Comparar a China com o Japão é uma gafe imperdoável. Os chineses orgulham-se de pertencer a uma das civilizações mais antigas do planeta.

Estas são algumas entre tantas outras peculiaridades que diferem a cultura ocidental da oriental e, para finalizar, lembro os provérbios: nós brasileiros, que não desistimos na primeira dificuldade, dizemos: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. E os chineses possivelmente dirão: “ser pedra é fácil, difícil é ser vidro”...

Edvalda Bomfim é graduada em História com especialização em Administração de Eventos Públicos e Privados, Cerimonial e Protocolo e pós graduanda em Educação a Distância.

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