Reinventar o PT. Resgatar o Socialismo: pela esquerda
Em nome da Esquerda Popular Socialista do PT, EPS-PT, nos dirigimos aos filiados e filiadas do Partido, em “nosso primeiro PED”, como corrente recém-construída (2011).
Integramos, junto com o Socialismo Século XXI, a Tribo, o Movimento PT e dezenas de militantes independentes a Chapa Partido é para Todos: Na Luta , número 250, que disputa o Diretório Nacional.
A unidade partidária, sempre necessária, se faz mais urgente agora. E o debate franco é o caminho para soldar nossos laços. Nesse sentido, o apoio a Rui Falcão, para presidente do DN mostra-se cada vez mais acertado. E não é paradoxal que, mesmo não sendo integrante do campo majoritário, ele foi convocado a cumprir um papel agregador de forças e lideranças de quase todos os campos do Partido. Um bom sinal dos tempos.
Assim, consideramos, nós da EPS, superada a forma tradicional de alocação geográfica das posições ideológicas no espectro partidário, pelas referências: esquerda, centro e direita. Não que essas posições, enquanto tais, tenham deixado de existir e influenciar nos rumos partidários. Pelo contrário: estão cada vez mais presentes nos dilemas com os quais nos deparamos na conjuntura.
A questão é que na práxis real, as diferenças de atuações nos executivos (ministérios e empresas públicas, etc), nos governos dos estados, prefeituras, no parlamento, em entidades sindicais e movimentos, são, às vezes imperceptíveis. Isso serve, inclusive, para secretarias e setoriais internos ao Partido. Os exemplos são vários e especificá-los é muito fácil.
É evidente que o “problema” no PT não se situa à esquerda, campo do qual somos partícipes. Mas, prioritariamente nas posições moderadas e até mesmo conciliatórias com o capital, como no caso do latifúndio, das comunicações, da usura financeira e do sistema eleitoral corruptor e funcional aos interesses da acumulação privada.
A transversalidade de posturas, mais ou menos radicais, perpassa quase todas as tendências. E é esse o movimento que buscamos fazer, enquanto corrente que quer realizar algo diferente no Partido: queremos garantir o trânsito de posições e ações à esquerda, internamente e na sociedade, construídas com quem se dispuser a fazê-lo.
Nesse sentido, nossa referência para o PED, é a tese da Chapa 250. E nela, destacamos duas questões políticas e ideológicas centrais: a) a disputa de significado do cinquentenário da Ditadura Militar no Brasil (1964/2014); e a do centenário da Revolução Russa (1917/2017).
Além de incidir concretamente nas lutas de classes e, portanto, nas novas instâncias de decisão do real, que emergem das ruas recentemente, essas duas questões, certamente, unem petistas de diversos campos e tendências.
Na disputa em torno do significado do Cinquentenário do Golpe, no ano de eleição, isso terá papel decisivo em politizar as massas e disputar hegemonia política, ideológica, com incidência eleitoral.
E resgatar o socialismo como indispensável elemento orientador de nossa práxis, nos mais simples e mais complexos desafios que temos,pressupõe falar de toda a luta que subjaz a essa história. Sempre reafirmando a centralidade categorial do trabalho na sociabilidade humana.
Na disputa de significado do Centenário da Revolução Russa, não apenas o passado estará em debate. Mas, sobretudo o futuro. Afinal, o socialismo é o que dá sentido à nossa militância. E é do futuro que se retira a poesia da revolução, parafraseando Marx.
* Valmir Assunção é deputado federal pelo PT da Bahia.
Assinam também o artigo: Angélica Fernandes, Danielle Ferreira, Guilherme Guimarães, Ivan Alex, Mauro Rubem, Renata Rossi, Shaekspeare Martins, Sheila Oliveira.
