A Bahia como novo potencial da indústria de petróleo e gás no país
A demanda energética no mundo vem crescendo constantemente e a busca por novos reservatórios de petróleo e gás se faz necessária. A possibilidade para muitos países se tornarem independentes energeticamente é a partir dos chamados reservatórios não convencionais. Neste contexto, o Brasil já vem estudando novas possibilidades e o estado da Bahia pode se tornar um novo potencial da indústria de petróleo e gás em nosso país.
Em recente debate, organizado pela Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia, foi apresentado, através da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), que as Bacias do Recôncavo e de Tucano Sul têm um grande potencial de gás não convencional ou shale gas/oil – como já é conhecido e produzido nos EUA. Este gás se encontra em formações sedimentares de muito baixa permeabilidade – os folhelhos. Diferentemente do gás ou óleo convencional, que migra das rochas onde se formou para rochas reservatórios, este fluido não convencional fica aprisionado na própria rocha geradora, permanecendo um grande volume no próprio folhelho gerador.
A Bacia do Recôncavo é uma excelente oportunidade em reservatórios deste tipo, pois tem volume estimado de 20 trilhões de pés cúbicos – volume este maior do que todo gás até hoje descoberto no Brasil, além de um potencial mais seguro, devido aos seis mil poços já perfurados com maior precisão na área de ocorrência e na definição de volume. Com isso, mais de mil postos de trabalho serão criados e a produção poderá crescer em até 25%, em curto prazo, colocando a Bahia numa posição de destaque nacional. Outro grande benefício é que o Brasil poderá diminuir a importação de gás natural da Bolívia e de outros países, sob forma de gás natural liquefeito (GNL), que é transportado por navios e tem custo muito elevado. Possivelmente, o preço do gás nacional será reduzido.
A técnica utilizada nesta operação é o fraturamento hidráulico massivo, que consiste injetar uma mistura de água, areia e produtos químicos no subsolo em altas pressões quebrando a densa rocha, permitindo assim a extração de petróleo e gás natural. Mas para que esta atividade seja viabilizada é preciso mais investimentos na técnica de exploração, bem como infraestrutura eficaz, além de políticas de incentivo e um marco regulatório, com uma legislação específica. Atualmente, o Brasil não possui equipamentos necessários, sendo indispensável a importação.
Apesar disso, a Bahia sai na frente por já ter grande conhecimento geológico na Bacia do Recôncavo, um mercado consumidor industrial consolidado, fornecimento de equipamentos e serviços especializados, com grande potencial para atrair investimentos no setor e aumentar a produção. Empresas que desejam investir na exploração de petróleo e gás no Brasil encontram no nosso estado um ambiente propício para o desenvolvimento das suas atividades.
Este ano, a exploração de gás não convencional ganhará destaque. O Governo Federal realizará uma licitação especial de áreas de exploração e já será possível iniciar o processo em 2014. Os investimentos poderão chegar a centenas de milhões de reais, e, neste momento, ocorre uma discussão sobre possíveis incentivos municipais, estaduais e federais, como redução de ISS e ICMS, para estimular o início da atividade.
Com o crescimento da produção de óleo e gás haverá geração de emprego e renda além de aumento na arrecadação dos royalties do petróleo, o que beneficia toda população baiana. Com um estado economicamente desenvolvido, mais investimentos em áreas fundamentais, como a saúde e educação, serão possíveis.
*Marcelino Galo é engenheiro agrônomo e deputado estadual do Partido dos Trabalhadores.
