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Artigo

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Às mulheres, muito obrigado!

Por José Trindade

Dia 08 de março é a data em que todas as homenagens são prestadas às nossas mulheres, mas não podemos restringir as palavras bonitas, afagos, presentes e respeito à apenas um dia do ano. Em Salvador, diariamente, é registrada uma média de 21 casos de violência contra a mulher, sendo que a maior parte destas denúncias é feita contra os companheiros das vítimas. Então, que sociedade é essa em que vivemos? Elege um dia para glorificar os encantos femininos, mas esquece de tudo durante o resto do ano. Como ficam as nossas mães, filhas, esposas e todas mais que nos cercam?
 
Posso dar um exemplo que vimos neste carnaval. Publicidades – leia-se panfletos, outdoors, banners de internet, VTs - de péssimo gosto utilizavam imagens de mulheres seminuas, tratadas como objetos, explorando a imagem feminina sexualmente. Em uma manhã de domingo, como de costume, abri o jornal, dias antes da festa momesca, e me deparei com um encarte do Camarote Pida!, com foto de duas meninas, trajando pouquíssima roupa, os respectivos nomes e o convite para conhecê-las, caso o folião adquirisse o passaporte para o camarote. Qual a real necessidade de veicular um apelo tão descabido? Qual o tipo de gente que adquire o abadá por causa deste chamado?
 
Ainda sem extrapolar a rotina, passando por grandes avenidas de Salvador, ao levar minha família para almoçar, minha filha à escola, me deparava com duas moças (Panicats) usando bikinis (bem pequenos), uma de frente e outra de costas, divulgando o que eles intitularam de "camarote mais desejado".
 
Bom, temos diversos problemas a serem enumerados, mas o que me chama a atenção é o tratamento vulgar dado à imagem da mulher, chegando até a insinuação de prostituição. O Brasil que há tanto tempo tenta se desvincular do rótulo do turismo sexual tem, pelas mãos de quem cuida da nossa imagem, o desprazer de ver peças como as citas acima veiculadas por toda a cidade de Salvador, de fácil acesso às nossas crianças. Constrangido? Não. Indignado. Ofendido. Quero destacar as mulheres da minha Pátria Amada. Quero ver exemplos de luta, honra e bondade espalhados pelas ruas. Quero que seja colocado em prática o respeito que tanto foi pedido pela campanha do Governo do estado da Bahia - de muito bom gosto –, durante o carnaval. 
 
Cadê os outdoors homenageando a primeira juíza negra do Brasil, atualmente desembargadora, Luislinda Dias de Valois Santos? Gostaria de saber onde estão os encartes com homenagens à Mãe Menininha do Gantois, grande Iyálorixá brasileira, filha de Oxum, uma das principais responsáveis pelo combate a perseguição ao candomblé. Quero que os veículos de comunicação contem a história de Dona Canô em um dia qualquer do ano, para que a população nunca esqueça do exemplo de cidadã de Santo Amaro, que sempre lutou por melhorias na cidade.
 
As nossas mulheres merecem se reconhecer em olhos de quem se orgulha e respeita a grandeza da alma e a força da luta feminina. Por quem sabe o valor da mulher na política, na vida familiar, na carreira profissional, no desenvolvimento intelectual, na maternidade. Elas conquistaram o direito ao voto em 1932, elas assumiram a presidência do Brasil em 2011, elas estão nas Câmaras, nas Assembléias, nos Sindicatos, nos Partidos. Elas são brasileiras, guerreiras e amadas no dia 8 de março e em todos os outros. Elas são as nossas mães, filhas, namoradas, esposas, irmãs, primas, tias que cuidam da gente. Elas são MULHERES!

José Trindade é vereador, líder do PSL na Câmara e pós-graduado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/DF

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