COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL
O que querem e pensam empresas e estudante
Márcio de Matos Souza
Antes de continuar problematizando a gestão da comunicação organizacional, precisamos compreender porque o índice drop-out de profissionais da área é tão alto na Bahia.
Não dispomos de dados estatísticos para comprovar a 'tese', mas, pela observação do mercado e pelo contingente de alunos que chegam ao final dos cursos, torna-se forçoso reconhecer: é alarmante o número de Comunicadores Organizacionais (ou Relações Públicas) que desistem da atividade após o ingresso no mercado de trabalho ou mesmo durante a experiência acadêmica.
Drop-out rate, se ainda não ficou claro, é a porcentagem de estudantes que desiste do curso antes da sua conclusão. Alguns estudiosos também utilizam a expressão para designar os desistentes da carreira de um modo geral, formados ou não. Nos dois casos, é crítica a situação das Relações Públicas na Bahia. Resta saber por quê.
Nenhum estudo consistente foi feito até hoje para esmiuçar a questão, mas alguns aspectos fornecem pistas, quais sejam:
1. O boom de faculdades particulares, que aumentou consideravelmente a quantidade de cursos e de novos RPs, mas não recebeu a devida contrapartida do mercado (o conhecido paradoxo progressão geométrica X progressão aritmética).
2. O mal-explicado conceito da profissão, que induz estudantes a ingressarem nos cursos buscando uma coisa (em geral, apenas promoção de eventos), quando, na verdade, trata-se de outra (bem mais complexa e menos glamurosa).
3. A questionável qualidade do ensino e o desinteresse dos graduandos, que também apresentam precária formação cultural.
4. A retração do mercado na área de comunicação e o desconhecimento das Relações Públicas e de suas potencialidades por parte das empresas.
Apontadas as pistas, é preciso aprofundar a discussão. Não adianta corrigir apressadamente uma ou outra deficiência e aguardar pelo improvável sucesso. O problema é conjuntural e todas as variáveis estão interligadas. Investir isoladamente nos cursos ou em orientação vocacional não impulsionará o crescimento da atividade. É preciso buscar as indicações do mercado e, aí sim, retrabalhar os conceitos da profissão, dentro da sala de aula. O que querem e pensam estudantes e empresas sobre a comunicação organizacional? Eis um excelente mote para começar a mudar a realidade das Relações Públicas na Bahia.
Márcio de Matos Souza é relações públicas, especialista em Administração de Crises e chefe da Seção de Comunicação e Imprensa da Assessoria de Comunicação dos Correios na Bahia.
