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Artigo

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70 anos que a história não apaga

Por Adilson Fonsêca

Da nossa geração, dos que têm acima de 50 anos, o que se sabe vem dois livros de história, de filmes e relatos dos poucos que ainda vivem, mas que foram sobreviventes do pior período da história do homem. Refiro-me à Segunda Guerra Mundial, iniciada oficialmente em 1º de setembro de 1939, e termina em 2 de setembro de 1945, que deixou na sua esteira mais de 60 milhões de mortos e outros tantos 12 milhões de feridos e mutilados, nações destruídas e toda uma geração com marcas profundas de destruição, material, moral e espiritual.
 
Mas há exatos 70 anos (30 de abril de 1933), seis anos antes da guerra propriamente dita, surgia um nome que em pouco tempo ganhou notoriedade, por suas ideias, por suas atitudes e, principalmente, pelo seu modus operandi: Adolf Hitler, um austríaco que se tornaria o maior alemão de todos os alemães, que em nome dos seus ideais, levou a destruição a todos os quadrantes do mundo. Nessa data Hitler chegava ao poder, passando a ser o chanceler da Alemanha, iniciando a sua trajetória de dominação e terror sobre todos os povos que não eram considerados de raça pura.
 
Em 30 de janeiro de 1933, Hitler, depois de sufocar todos os movimentos democráticos na Alemanha, chagava ao poder com o título de chanceler. Não satisfeito com o poder que já detinha, tornou-se Fuher, (guia, líder, chefe) em agosto do seguinte, com plenos poderes ditatoriais, senhor da vida e da morte de milhões de não alemães, especialmente os judeus. Homicida confesso, Hitler ficou no poder até 30 de abril 1945, quando cometeu suicídio em um dos quartos fortificados da sua chancelaria, em Berlim.
 
Da sua biografia, feitos memoráveis de terror cometidos diretamente ou por intermédios de seus auxiliares mais diretos, testemunharam o seu perfil. Por isso mesmo, antes mesmo de iniciar a sua sanha holocáustica, anexou a Áustria e a Renânia, sufocando os seus povos em todos os seus direitos. E o mundo a tudo assistiu em silêncio comprometedor.
 
França e a Inglaterra, duas nações que poderiam fazer frente militarmente ao avanço da sanha nazista, se calaram mais uma vez e aceitaram que região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, fosse também anexada. Mais supressão de direitos, mais mortes, mais terror. E em 1939, como não com seguia por vias diplomáticas a anexação de parte da Polônia, resolveu tomá-la à força. À Polônia vieram a cair sob o peso das botas e dos tanques alemães, Noruega, Dinamarca, Holanda, França.
 
Setenta anos depois o mundo ainda se pergunta o que realmente queria Adolf Hitler. Um mundo tripartite, dividido entre a Alemanha, Itália e Japão, onde os alemães desempenhariam o papel de senhor da Europa e dos seus povos, iniciando uma era de “raça pura”? Um terceiro Reich, formado por uma raça ariana pura, que segundo suas próprias palavras, duraria mil anos à custa da opressão sobre os demais povos, estes tratados como vassalos?
 
A história mostra que líderes ditatoriais caem como ídolos de barros. Como gigantes de pés de barro. Mas a história mostra, também, que até a sua queda, eles podem causar profundas feridas que duram anos, décadas e até mesmo séculos para cicatrizarem. Aprendamos com a história para que essas feridas jamais sejam reabertas.
 
* Adilson Fonsêca é jornalista

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