Nantes - Capital Verde 2013 da Europa
Viver de forma sustentável é desejo crescente das novas gerações, dos novos empresários e novos gestores públicos e privados. A geração que ainda está no comando, com dificuldades de acompanhar as mudanças, sente-se incomodada pela nova conjuntura, a velocidade dos fluxos de informação, a agilidade das redes sociais e a pressão dos marcos regulatórios da sustentabilidade, especialmente os financeiros, que exigem habilidades inovadas para empreender em ambiente requalificado. Ser verde passou a ser sinônimo de viver sustentavelmente - e um novo status.
A União Europeia, enfrentando tensões sociais e políticas, agravadas pela crise econômico-financeira, adotou a sustentabilidade como eixo central da sua nova forma de viver e de fazer negócios. Para tanto, cria regras e promove subsídios institucionais. O titulo de “Capital Verde” foi criado pela Comissão Europeia na última década como uma das formas para estimular as pessoas e a economia urbana. A competição prestigiosa, ajudada por universidades europeias, é julgada com base em critérios como transporte, espaços verdes urbanos, natureza e biodiversidade, qualidade do ar, poluição sonora, mudança climática, gestão para redução de resíduos, consumo de água, tratamento de águas residuais, eficiência energética e gestão municipal verde.
Estocolmo foi o primeiro a receber o titulo em 2010. A Capital Verde de 2011 foi a cidade portuária de Hamburgo, na Alemanha, que estabeleceu operações verdes para sua navegação. Em 2012, o bastão verde foi para a cidade basca de Vitoria-Gasteiz e, em 2013, o prêmio vai para a cidade francesa de Nantes, reconhecendo os esforços para melhoria do clima, transporte, água e biodiversidade. Copenhague está apontada como Capital Verde 2014. O velho continente, dando exemplos de resiliência, aproveita a sabedoria expressada nos dois ideogramas japoneses que, unidos, traduzem a palavra crise como “perigo e oportunidade”.
A cidade portuária de Nantes, a quinta maior na França situada às margens do Rio Loire, é composta por 24 municípios com 600 mil habitantes e governança regional integrada e fica próxima ao Oceano Atlântico. É cidade natal do famoso escritor futurista Julio Verne, que na sua vasta obra escreveu sobre o uso errôneo de tecnologias e seus impactos ambientais. Com o declínio da sua principal indústria de construção naval, na década de 80 passada, a cidade orgulhosa precisava de uma nova identidade para permanecer relevante: Cultura e sustentabilidade foram as identidades escolhidas para manter o status local.
Cidades brasileiras que começam a despertar para a adoção de critérios da sustentabilidade, ajudando a reduzir desigualdades sociais e melhorando a qualidade de vida para todos, movem-se rumo ao conceito cidade verde, capacitando-se para a virada. A cartilha “Ter Mais ou Viver Melhor” lançada pelo WWI-Worldwatch Institute no Brasil em parceria com a Unesco e o Instituto Akatu, estimula os jovens a liderarem uma transformação para um estilo verde de vida. Na Bahia, a Rede de Tecnologias Limpas – Teclim, da Ufba, centro de referência para sustentabilidade está a altura dos melhores do mundo e à disposição da sociedade.
* Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Insitute no Brasil.
