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Artigo

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Desenvolvimento com 'Riqueza Inclusiva'

Por Eduardo Athayde

Avaliado entre os 20 países que juntos representam 3/4 do PIB mundial, o Brasil foi destacado como o quinto país que mais se desenvolveu de maneira sustentável entre os anos de 1990 e 2010. Abrigando 16% do biopotencial do planeta, detém inigualável capacidade para fomentar e investir na indústria dos econegócios, onde o turismo e o entrenimento sustentável, as tecnologias e as energias limpas, a biotecnologia com preservação dos ecossistemas, do conhecimento e das culturas tradicionais, estão incluídos.
 
Medido pelo indicador mais comum para a produção econômica, o Produto Interno Bruto - PIB, as economias da China, Estados Unidos, Brasil e África do Sul cresceram respectivamente 422%, 37%, 31% e 24% entre 1990 e 2010. Quando o desempenho é avaliado pelo Índice de Riqueza Inclusiva (IRI), lançado pela ONU na Rio+20, as economias chinesas e brasileiras aumentaram apenas 45% e 18% respectivamente, os EUA cresceram apenas 13%, e a África do Sul teve um decréscimo real de 1%. Isto porque os recursos naturais per capita diminuíram em 33% na África do Sul, 25% no Brasil, 20% nos Estados Unidos e 17% na China no mesmo período.
 
O IRI engloba os parâmetros econômicos e de desenvolvimento tradicionais do PIB e do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e inclui uma gama de ativos como o capital manufaturado, humano e natural, revelando a situação da riqueza das nações e a sustentabilidade do seu crescimento. Para mudar a direção da economia uma das ações básicas é a pressão internacional para diminuição dos subsídios aos combustíveis fósseis - que aumentaram em quase 30%, chegando a US$ 523 bilhões em 2011 -, e investir em tecnologias limpas, o que já está acontecendo nas iniciativas inovadoras de corporações e fundos de investimentos.
 
Provocadas, as corporações que geram cerca de 60% do PIB global e 70% dos empregos formais do mundo, estão aprendendo a faturar sustentavelmente. No Brasil, a recente parceria firmada entre o Sebrae Nacional e o Grupo Odebrecht para a profissionalização na gestão empresarial sustentável das micro e pequenas empresas reflete essa inteligência nova, medida pelo IRI.
 
Um dos maiores fundos de pensão do mundo, com ativos da ordem de US$ 650 bilhões e investimentos em mais de sete mil companhias, o norueguês (Statens Pensjonsfond), formado por impostos pagos pelas companhias petrolíferas e suas licenças de exploração, alinhado com o IRI, passou a exigir a adoção de ações rigorosas para reduzir os riscos associados à degradação dos ecossistemas e as mudanças climáticas para receberem aportes de recursos.
 
O Brasil, que prepara-se para mega eventos internacionais nos próximos cinco anos, Copa das Confederações, em 2013; Copa do Mundo, em 14; e Olimpíadas, em 16, escancarando as portas locais para a mídia global, organiza-se em diferentes regiões. O Rio de Janeiro desenvolve o projeto Porto Maravilha em parceria com a iniciativa privada, recuperando a área portuária e seu entorno, um conjunto de mais de quatro milhões de m2 degradados que, atraindo atenções de fundos como o norueguês, despertam para oportunidades dos lucros indexados pelo IRI.
 
Em Salvador, a criação de agencia voltada a captação externa de recursos para investimentos, anunciada em Nova Iorque pelo prefeito eleito ACM Neto, precisa estar alinhada, por exemplo, a iniciativas como o Principles of Responsable Investments (PRI), que reúne capitais da ordem de 33 trilhões de dólares, focados em inovação com sustentabilidade e inspiram a proposta da “Riqueza Inclusiva”.
 
Destacado mundialmente pelo desenvolvimento sustentável e posicionado entre as maiores economias do mundo, o Brasil tem, em Salvador, o berço da sua civilização. O Centro Histórico, patrimônio da humanidade; toda a Região Metropolitana de Salvador que carece de integração na governança intermunicipal, e a sua baia, uma das maiores do globo com desenvolvimento travado pelo excesso de burocracia e superposição de competências de órgãos legalmente constituídos – expostos pela mídia internacional – terão o desenvolvimento avaliado pelo novo Índice da Riqueza Inclusiva.
 
* Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil.

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