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Artigo

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90 anos a serviço da criança carente

Por Eduardo Athayde

Mantenedora do Hospital Martagão Gesteira - HMG, hospital pediátrico voltado à criança e à mãe carente, a Liga Alvaro Bahia Contra Mortalidade Infantil, entidade privada sem fins lucrativos, fundada em 1923, abre o ano comemorativo dos seus 90 anos mostrando como vem focando nos princípios adotados pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - ODMs, da ONU, mais especificamente o 4 (Combater a Mortalidade Infantil) e o 5 (Melhorar a Saúde Materna), ao longo da sua história.
 
Atravessando, desde a sua fundação, 22 quadriênios de governos federais, estaduais e municipais [caso raro], e enfrentando dificuldades e crises financeiras até hoje devido aos constantes atrasos do SUS, a Liga, como é chamada, inova investindo em projetos no hospital cinquentenário, seu braço operacional inaugurado em 1965 e carinhosamente chamado de Martagão, em homenagem ao destacado pediatra baiano Joaquim Martagão Gesteira, nascido em Conceição do Almeida. Essas iniciativas precisam ser mostradas [e vistas] por organizações que estão impulsionando agora o que a Liga faz há muitas décadas.
 
Quando os ODMs foram lançados em 2000, e adotados por 191 países, inclusive o Brasil, o prazo de 2015 foi estabelecido para cumprimento das metas. As contribuições que a Liga e o Martagão vêm dando talvez nunca tenham sido estatisticamente medidas, mas, para cada mãe carente - desesperada - que é acolhida e retorna para casa com a criança curada, os objetivos vão sendo cumpridos. Só no primeiro semestre de 2012, recebendo crianças excluídas e vítimas das desigualdades sociais de toda Bahia, o HMG realizou 42.075 atendimentos ambulatoriais, 3.309 cirurgias, 5.301 internamentos e 67.199 mil exames laboratoriais, investindo na saúde infantil no dia a dia. Quanto mais poderá realizar se receber apoios merecidos e devidos para ampliar suas atividades?
 
Segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), que acompanha os indicadores ODMs na Bahia, em 1994 a taxa de mortalidade infantil no Brasil era de 40 por mil nascidos vivos, e, na Bahia, de 60 por mil. Em 2009, a taxa de mortalidade no Brasil descresceu para 17 por mil, e, na Bahia, 21 por mil nascidos vivos. Esta melhora também revela outras nuances neste momento em que o Brasil alcança o sexto lugar entre as maiores economias do mundo. Com a visibilidade do novo status, os contrastes internos das desigualdades ficam mais nítidos e mais facilmente percebidos e divulgados a nível local, nacional e internacional.
 
Numa percepção ampliada da realidade, saúde e saneamento básico estão intimamente ligados, como mostra a Fundação Nacional de Saúde quando afirma que para cada 1 real investido em saneamento, 4 reais são economizados na saúde pública. Neste contexto, os contrastes da falta de saneamento básico em municípios como o de Camaçari, por exemplo, saltam aos olhos. Destacado por ter a segunda maior arrecadação no estado e sediar, há mais de 30 anos, o maior complexo industrial do Hemisfério Sul do planeta, com alta concentração de inteligência empresarial e tecnologias avançadas, Camaçari é um dos mais ricos entre os 5.565 municípios da sexta maior economia do mundo.
 
Num país onde menos de 1/4 da população tem plano de saúde privado, o SUS, criado em 1988 pela Constituição Federal Brasileira, independente das dificuldades burocráticas, de recursos humanos e financeiros para atender 160 milhões de pessoas que não têm seguro saúde, oferecendo consultas, exames ambulatoriais, transplante de órgãos e internações, promove campanhas de vacinação e de vigilância sanitária, - é um dos mais avançados sistemas de saúde pública do mundo ocidental.
 
 
O estatuto da Liga, concebido há 90 anos e atualizado ao longo de décadas para inovar, prevê ajuda especializada ao poder público na governança da saúde publica infantil. Ações de puericultura que implicam em cuidados no desenvolvimento infantojuvenil estão sendo organizadas para colocar postos do Martagão em municípios da Bahia. Dotados de profissionais especializados, tecnologia informatizada, custos reduzidos e banda larga, o Martagão extramuros promoverá, in-loco, ações de saúde pública e atendimento médico preventivo, evitando deslocamento das crianças até o hospital de Salvador. Aliado nesta arrancada o médico, ex-reitor, ex-governador, ex-ministro da saúde e representante do Brasil junto à Organização Mundial de Saúde, Roberto Santos, que no passado foi paciente dos pediatras Martagão Gesteira e Alvaro Bahia, assumiu o conselho da Liga e do HMG, colocando sua competência e reconhecida seriedade a serviço da saúde da criança da Bahia.

* Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute

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