BRT: uma escolha mundial
O sucesso do BRT (Bus Rapid Transit, ou sistema de ônibus rápido em corredores) cresce em todo o mundo, tanto em cidades dos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. Em 1995 existiam 350 km de BRT e busway (corredores de ônibus que facilitam a circulação de linhas convencionais de ônibus) no planeta. No início dos anos 2000, esse número era da ordem de 600 km. Hoje, existem 3307 quilômetros, em 117 cidades de todos os continentes. A opção pelo BRT decorre do entendimento que as grandes cidades, cada vez mais congestionadas, necessitam de redes de transporte coletivo de alto desempenho e não apenas de linhas isoladas.
Precisamos fazer um uso mais racional do espaço viário da superfície. Uma faixa destinada a BRT carrega dez vezes mais pessoas que uma utilizada apenas por automóveis. Ainda, é capaz de reduzir muito os tempos de viagem daqueles que hoje ficam presos nos crescentes congestionamentos das cidades brasileiras. Não é a toa que tomadores de decisão, em todo o mundo, cada vez mais optam pelo BRT como sistema sustentável de transporte coletivo.
O BRT é uma solução concebida no Brasil, “made in Brazil”. Especialistas dos Estados Unidos, Colômbia, e diversos outros países vieram a Curitiba aprender sobre o sistema para implantá-lo em suas cidades. Esse orgulho do brasileiro deve se perpetuar com o BRT no Rio de Janeiro, que já aparece como modelo a outras cidades do mundo. Mesmo ainda em operação inicial, o Transoeste já cativa seus usuários. A primeira avaliação de percepção da qualidade resultou em 90% de aprovação. Entre os maiores benefícios apontados destacam-se o conforto e a rapidez. Os tempos de viagem foram reduzidos à metade para aqueles que moram na Zona Oeste do Rio. O que pode ser mais precioso do que mais tempo livre no dia?
* Luiz Antonio Lindau é diretor da Embarq é uma ONG transnacional que apoia projetos de mobilidade sustentável em todo mundo.
