Um reencontro com nossa história
É triste fazer parte de uma nação que cultua os heróis errados. E basta circular pelas ruas e avenidas das grandes cidades para nos depararmos com placas com nomes como Costa e Silva e Garrastazu Médici. Ela não poderiam simplesmente se chamar Milton Santos ou Paulo Freire?
As placas dos logradouros públicos não são as únicas lembranças da ditadura. Algumas práticas policiais ainda remontam aos anos de chumbo, como a repressão a manifestações – a exemplo do Maio Baiano na Ufba em 2001 e da desocupação do Pinheirinho em São Paulo – ou a abordagem aos jovens negros na periferia das grandes cidades. Isto sem contar as famílias que até hoje não puderam enterrar seus parentes.
Uma parte de nossa história foi jogada para debaixo do tapete, como se isso resolvesse os traumas oriundos de décadas onde os impasses políticos eram resolvidos à base de torturas e assassinatos.
Na quarta-feira da semana passada, com a posse da Comissão da Verdade, começaremos a jogar luz sobre este passado sombrio, possibilitando um novo pacto político nacional e fortalecendo ainda mais a nossa democracia.
Organismos internacionais, como ONU e OEA, há muito tempo pressionavam para que o Brasil esclarecesse os crimes contra os direitos humanos cometidos por agentes do Estado. Muitos países latino-americanos avançaram ainda mais, punindo de forma exemplar os torturadores. Para isto, entidades como a OAB defendem a revisão da Lei de Anistia.
No mesmo sentido vão movimentos como o Levante Popular da Juventude, que tem protagonizado os chamados “esculachos”, que são atos públicos para expor colaboradores do regime militar. Na Bahia, semana passada, o alvo foi o assassino de Carlos Lamarca.
Ainda que sem a garantia de punição, os sete membros da Comissão da Verdade, empossados dia 15, terão pelos próximos dois anos uma tarefa fundamental para o país. E já começaram bem: além de ter sido aprovada por unanimidade no Congresso, o comparecimento de todos os presidentes vivos do nosso período democrático na posse da Comissão reforça seu o caráter republicano.
Apesar de figuras como o deputado Bolsonaro, defensor do golpe, o Brasil mostra que não tolera mais atentados contra a democracia. Estaremos firmes, reforçando iniciativas como o Comitê Baiano pela Verdade e ações legislativas que contribuam para o relatório final da Comissão. As lágrimas da ex-combatente e hoje presidenta Dilma servem para mostrar que precisamos limpar nossas feridas, a fim de que elas possam cicatrizar e possamos consolidar um país verdadeiramente livre.
As placas dos logradouros públicos não são as únicas lembranças da ditadura. Algumas práticas policiais ainda remontam aos anos de chumbo, como a repressão a manifestações – a exemplo do Maio Baiano na Ufba em 2001 e da desocupação do Pinheirinho em São Paulo – ou a abordagem aos jovens negros na periferia das grandes cidades. Isto sem contar as famílias que até hoje não puderam enterrar seus parentes.
Uma parte de nossa história foi jogada para debaixo do tapete, como se isso resolvesse os traumas oriundos de décadas onde os impasses políticos eram resolvidos à base de torturas e assassinatos.
Na quarta-feira da semana passada, com a posse da Comissão da Verdade, começaremos a jogar luz sobre este passado sombrio, possibilitando um novo pacto político nacional e fortalecendo ainda mais a nossa democracia.
Organismos internacionais, como ONU e OEA, há muito tempo pressionavam para que o Brasil esclarecesse os crimes contra os direitos humanos cometidos por agentes do Estado. Muitos países latino-americanos avançaram ainda mais, punindo de forma exemplar os torturadores. Para isto, entidades como a OAB defendem a revisão da Lei de Anistia.
No mesmo sentido vão movimentos como o Levante Popular da Juventude, que tem protagonizado os chamados “esculachos”, que são atos públicos para expor colaboradores do regime militar. Na Bahia, semana passada, o alvo foi o assassino de Carlos Lamarca.
Ainda que sem a garantia de punição, os sete membros da Comissão da Verdade, empossados dia 15, terão pelos próximos dois anos uma tarefa fundamental para o país. E já começaram bem: além de ter sido aprovada por unanimidade no Congresso, o comparecimento de todos os presidentes vivos do nosso período democrático na posse da Comissão reforça seu o caráter republicano.
Apesar de figuras como o deputado Bolsonaro, defensor do golpe, o Brasil mostra que não tolera mais atentados contra a democracia. Estaremos firmes, reforçando iniciativas como o Comitê Baiano pela Verdade e ações legislativas que contribuam para o relatório final da Comissão. As lágrimas da ex-combatente e hoje presidenta Dilma servem para mostrar que precisamos limpar nossas feridas, a fim de que elas possam cicatrizar e possamos consolidar um país verdadeiramente livre.
* Maria del Carmen é deputada estadual e membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia
