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Artigo

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O PT no xadrez da política da RMS

Por Fabão Pereira

Com a recente vitória do PT na eleição extraordinária de Madre de Deus, o mapa do partido para a eleição nos municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS) está desenhado. Um bom desempenho no território que inclui a capital baiana terá, naturalmente, desdobramentos positivos para a corrida sucessória ao Palácio de Ondina, em 2014. Afinal, é na RMS que se concentra maior parte do PIB baiano e praticamente um terço do eleitorado do estado.
 
O PT comanda cinco das treze cidades da Região. Os aliados situados na base de apoio ao governo Jaques Wagner administram outras cinco. Neste espectro, o PSD, do vice-governador Oto Alencar, está à frente de três prefeituras, enquanto o PCdoB e o PP comandam, cada, uma “máquina pública”. Somente três municípios estão atualmente sob domínio oposicionista.
 
Logicamente, Salvador, hoje “nas mãos” do PP, receberá, por seu caráter estratégico e simbólico, tratamento prioritário por parte do PT. Porém, a necessidade de vencer em “lugares” onde nunca foi “bem sucedido” deve fomentar no partido um esforço redobrado para eleger candidatos que, se eleitos, podem agir em bloco na busca por soluções para problemas comuns da Região Metropolitana.
 
Camaçari, com dois mandatos consecutivos, é hoje a mais importante das administrações petistas na RMS. Por isso, faz jus a uma atenção peculiar. É a maior recebedora de investimentos privados da Bahia. Além da força econômica e do acelerado ritmo de crescimento populacional, também merece registro o fato de ser o domicílio eleitoral do governador.
 
Além de Camaçari, Lauro de Freitas também tentará o terceiro mandato consecutivo. Já em São Francisco do Conde a gestão petista disputará a reeleição, mesma condição de Vera Cruz. Em Madre de Deus – que é um caso à parte -, o PT inicia a gestão na segunda quinzena de março e, em pouco tempo, terá diante de si o pleito de outubro.
 
Nas cidades dirigidas por opositores a Wagner, estão em destaque Dias D’Ávila e Candeias. O PT tem grandes chances em Dias Dávila, o último abrigo do DEM na RMS. Mesmo com a maioria da população se manifestando contra o grupo dirigente nos últimos pleitos, a “oligarquia” em questão se vale da impossibilidade de realização do segundo turno e da ausência de unidade na oposição para se consolidar no poder.
 
Candeias, sob a batuta do PMDB, vive um colapso administrativo indefensável, o que favorece a candidatura petista, que tem aglutinado rapidamente vários siglas da base de apoio a Wagner. A julgar pela insatisfação da população com o fadigado modelo de alternância de poder no município, a “débâcle” da gestão peemedebista abre a porta para uma inédita vitória petista.
 
Em Simões Filho e São Sebastião do Passé, alguns nós precisam ser desatados para definir o rumo da legenda no processo eleitoral. Simões Filho é administrada pelo PSD, que tem uma gestão mal avaliada. O PT se apresenta com candidatura própria e até aqui demonstra convicção inabalável nesta opção. Em São Sebastião, a situação é um pouco diferente, o PT coopera com o governo do PC do B, mas tem pretensão de encabeçar uma chapa. Até as convenções partidárias muitas águas ainda vão rolar.
 
Mata de São João ainda vive um cenário incerto. O PSDB dirige a prefeitura, mas o vice, que é do PP, é o virtual candidato da gestão. Onde o PT entra nessa? Há duas teses em debate. Uma versa sobre a candidatura própria. A outra caminha no sentido de apoiar o candidato progressista. A decisão só será tomada no encontro municipal do partido. Pojuca e Itaparica, onde o PSD comanda, são casos em que o Partido dos Trabalhadores depende de muito fortalecimento para fazer o enfrentamento em condições mais competitivas.
 
Diante do cenário aqui apresentado, o PT tem boas chances de sair vitorioso da eleição municipal de outubro na RMS. Se este prognóstico se confirmar, estará bem posicionado no xadrez para liderar a sucessão do mandato do governador Jaques Wagner. É esperar pra ver.
 
* Fabão Pereira é jornalista e presidente do PT de Camaçari.

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