FISIOTERAPIA EM UROGINECOLOGIA: UMA NOVA ESPECIALIDADE

Andréa Garcez
A fisioterapia surge como a “terapia pelo movimento”, fazendo parte do tratamento médico. Há relatos que esta se inicia em 4.000 a.C., com o objetivo de tratar pessoas que apresentavam as denominadas “diferenças incômodas”, como exemplo, tem-se que Galeno (130 a 199 d.C.) conseguiu, através de uma ginástica planificada do tronco e dos pulmões, corrigir o tórax deformado de um rapaz, até chegar às condições normais. Durante a era da Idade Média, na qual o corpo humano era considerado inferior e os eclesiásticos eram inimigos do corpo, as pesquisas foram estagnadas, as tidas “diferenças incômodas” eram consideradas como algo a ser exorcizado. Ressurge então, o estudo do movimento durante a época do Renascimento e é impulsionado na fase da Industrialização, nos períodos da guerra e pós-guerra. Foi então por muitos anos classificada, ou melhor, rotulada, como a área de saúde que tem por objetivo tratar ou reabilitar os lesados ou mutilados e que necessitavam readquirir um mínimo de condições para retornar a uma atividade social.
No Brasil, a fisioterapia foi regulamentada como profissão através do decreto-lei n. 938 de 13 de outubro de 1969, sendo hoje curso universitário com duração de cinco anos. Possui especialidades, algumas mais conhecidas e reconhecidas, como a desportiva. Esta, bastante apresentada na mídia, através dos nossos atletas que, ao sofrerem lesões, se submetem a sessões de fisioterapia; ou então a cardio-respiratória, que atua diretamente nas UTIs e hospitais. Outras especialidades são completamente desconhecidas ou pouco divulgadas, como a neurológica, a dermatológica, a reumatológica, a obstétrica, e a uroginecológica.
A fisioterapia aplicada à uroginecologia pode ser classificada como uma das mais recentes áreas de atuação do fisioterapeuta. Tem por finalidade melhorar o controle e a qualidade da musculatura do assoalho pélvico. Foi um ginecologista californiano, Arnold Kegel que em 1948, descobriu a importância desta musculatura nas incontinências e nos prolapsos, obtendo em suas pacientes um índice de 70% de cura. Só mais recentemente, em 1992, a Sociedade Internacional de Continência validou cientificamente as técnicas de reabilitação do assoalho pélvico para o tratamento dos distúrbios perineais.
Atualmente, o campo de aplicação dessa técnica aumentou consideravelmente, tanto no papel de prevenção como no pré-operatório de cirurgias de próstata, de prolapsos, na obstetrícia, nos atletas; nas incontinências urinárias masculinas, femininas, crianças e pacientes neurológicos; nas incontinências fecais, na constipação, nas disfunções sexuais como a anorgasmia, em algumas patologias álgicas como a dispareunia, cistite e vaginismo. A fisioterapia vem a cada dia, conjuntamente com a equipe multidisciplinar, em busca de uma permanente melhora na qualidade de vida de seus pacientes.
Andréa Garcez é fisioterapeuta, especialista em uroginecologia, pós-graduada em metodologia do ensino superior e em postura e dor, supervisora de estágio em uroginecologia na Universidade Católica do Salvador.
