Nem no bicho vale mais o escrito em papel!
A operação desencadeada pelas Policias dos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Maranhão contra os contraventores do jogo do bicho, não surpreendeu as autoridades que estudam há tempo a sua estreita ligação com policiais e o “poder político” nas comunidades, evidenciando com discursos públicos, doações ou articulações nos bastidores. Esta relação é histórica, e já trouxe vários prejuízos aos estados da federação principalmente a Bahia e Rio de Janeiro que ainda convivem com esses contraventores.
A criminalização de uma atividade que é popular, muitas das vezes o próprio policial joga no bicho. Essa atitude facilita a corrupção e encoraja seus principais contraventores que exercem “poder” nos locais onde se estabelecem, influenciando diretamente nas estatísticas de ocorrências de crimes contra a vida em nível estadual e até nacional.
O que se deseja com as considerações acima é mostrar que ainda há policiais não comprometidos deontologicamente com a cidadania, pois, questões éticas existem em todas as profissões, que a violência, a corrupção e o desvio de finalidade são as principais questões que preocupam todos aqueles que têm função de comando sobre as instituições.
Nos meus estudos, ao abordar o tema, venho me concentrando a três de seus grandes problemas, que são a violência, crimes contra a vida, o seu subproduto, a corrupção, já atingindo níveis vergonhosos, e o desvio de finalidade, este uma praga silenciosa que corroem as policias, sendo que tais comportamentos desmoralizam os órgãos públicos envolvidos na segurança pública perante o povo e comprometem a imagem das instituições.
No meu entender, de parte de uma das policias a violência seja mais fácil de ser contida, pois, geralmente ocorre nas ruas, em público, sendo, invariavelmente, percebida e não longe das vistas do público.
No que se refere á corrupção, ela está aliada á fragilidade dos instrumentos hierárquicos e disciplinares do órgão policial, o que, na realidade, dificulta mais ainda o controle de tais desvios funcionais, apesar do reconhecido esforço dos setores responsáveis em contê-los.
Deixo claro que o desvio de finalidade, finalmente, diferentemente da violência e da corrupção, quase não é percebido pela opinião pública, mas existe e é grave, porque, vai desde o uso indevido dos meios materiais postos a disposição da Policia, passa pelos efetivos retirados para atender a interesses menores e chega ao exercício deliberado de funções policiais que não são exatamente aquelas competentes ao órgão policial, envolvendo questões de ordem moral, e assim de improbidade administrativa, dos quais não se pode descurar, pois, influem decisivamente na eficiência dos serviços policiais.
Concluo afirmando de que o jogo do bicho se modernizou e anunciou, triunfante, o uso de máquinas digitais manuais para a coleta de apostas e a apuração do rateio. A partir de agora, nem no bicho vale mais o escrito em papel. O que vale é a notação binária arquivada e recuperável.
*Nilton Mascarenhas é coronel da Polícia Militar da Bahia e ex-comandante-geral da PM.
A criminalização de uma atividade que é popular, muitas das vezes o próprio policial joga no bicho. Essa atitude facilita a corrupção e encoraja seus principais contraventores que exercem “poder” nos locais onde se estabelecem, influenciando diretamente nas estatísticas de ocorrências de crimes contra a vida em nível estadual e até nacional.
O que se deseja com as considerações acima é mostrar que ainda há policiais não comprometidos deontologicamente com a cidadania, pois, questões éticas existem em todas as profissões, que a violência, a corrupção e o desvio de finalidade são as principais questões que preocupam todos aqueles que têm função de comando sobre as instituições.
Nos meus estudos, ao abordar o tema, venho me concentrando a três de seus grandes problemas, que são a violência, crimes contra a vida, o seu subproduto, a corrupção, já atingindo níveis vergonhosos, e o desvio de finalidade, este uma praga silenciosa que corroem as policias, sendo que tais comportamentos desmoralizam os órgãos públicos envolvidos na segurança pública perante o povo e comprometem a imagem das instituições.
No meu entender, de parte de uma das policias a violência seja mais fácil de ser contida, pois, geralmente ocorre nas ruas, em público, sendo, invariavelmente, percebida e não longe das vistas do público.
No que se refere á corrupção, ela está aliada á fragilidade dos instrumentos hierárquicos e disciplinares do órgão policial, o que, na realidade, dificulta mais ainda o controle de tais desvios funcionais, apesar do reconhecido esforço dos setores responsáveis em contê-los.
Deixo claro que o desvio de finalidade, finalmente, diferentemente da violência e da corrupção, quase não é percebido pela opinião pública, mas existe e é grave, porque, vai desde o uso indevido dos meios materiais postos a disposição da Policia, passa pelos efetivos retirados para atender a interesses menores e chega ao exercício deliberado de funções policiais que não são exatamente aquelas competentes ao órgão policial, envolvendo questões de ordem moral, e assim de improbidade administrativa, dos quais não se pode descurar, pois, influem decisivamente na eficiência dos serviços policiais.
Concluo afirmando de que o jogo do bicho se modernizou e anunciou, triunfante, o uso de máquinas digitais manuais para a coleta de apostas e a apuração do rateio. A partir de agora, nem no bicho vale mais o escrito em papel. O que vale é a notação binária arquivada e recuperável.
*Nilton Mascarenhas é coronel da Polícia Militar da Bahia e ex-comandante-geral da PM.
