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Artigo

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PSD: Oco de ideias, mas de atraso cheio

Por Florisvaldo Mattos

Além de extremamente lúcido e oportuníssimo, o tema tratado por Samuel Celestino, em sua coluna de domingo (9), me agradou imenso tanto quanto à clareza de exposição e consistência de argumentos, como pela agudeza da análise política - o PSD de Kassab com sua carapaça de camaleão lançado no picadeiro movediço da política atual, Noblat abordou o mesmo tema em seu artigo desta segunda (10), mas em vertente diversa, porém ressoando as mesmas implicações.

Com mais perspicácia, o seu artigo foi ao cerne da questão, ao traçar o roteiro de origens e heranças que denunciam as matrizes ideológicas do novo partido. Você diz lá que o PSD de Kassab é um partido oco. Como metáfora vale, mas, na realidade, ele tem dentro de si um volumoso ideológico, que fará dos seus adesistas, espécie de gado humano da política, verdadeiros ruminantes de idéias, propostas e programas cuja mariz vem de longe - não apenas da velha combativa e matreira UDN e dos instrumentos do mandonismo ditatorial, consolidados em partidos como a Arena, o PDS, o PFL e seu produto de decadência, o DEM, mas das velhas práticas pré-Carta Magna de 1946: o coronelismo, o peleguismo, o fisiologismo, o jogo sem disfarces de meios de manipular o eleitorado e enganar o povo, no que até o velho PSD, bastião da sagacidade mineira, o PTB getulista e o PR cheirando a latifúndio se incluíam.

Não é novidade o seu poder de análise e exposição centrada em argumentos sólidos e fecundos, além da fluência de estilo, porém esse texto de ontem foi de imensa felicidade, e creio que não deve ser abandonado, pois, pela primeira sugestão - a de instalação de uma nova Constituinte, quando muito de nossa atual Carta Magna, apesar de seu arsenal de miudezas, ainda não se cumpriu satisfatoriamente, 23 anos depois de sua promulgação, transcorridos justamente agora.

O que o PSD prega, propõe e alimenta é um conjunto de matreirices, que se ajustam muito bem na célebre frase do romance do italiano Lampedusa, O Leopardo, quando o pai, um nobre de velha cepa e lúcida inteligência, sugere ao filho (Allan Delon, no filme de Visconti):se engage no movimento revolucionário (princípios do século 19) em curso, "para que as coisas permaneçam como estão". É isso que o PSD quer, com sua culinária de saladas políticas: tudo fique como está, levando a corrupção junto. Por isso, torna-se alvo de tantas e repentinas adesões. Kassab é um artista.

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