O pagode das minhas alegrias e dores
Antes de iniciar uma nova reflexão, peço a benção à Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, à Mangueira, à Portela, ao Salgueiro e à todos os sambista do nosso querido Rio de Janeiro, donos dos grandes “sambas enredo” que tanto alegraram nossos carnavais, pois, humildemente, falarei sobre o Pagode!!!!!
Estou agora na década de 70, no Rio de Janeiro. Como um capilar do samba, o pagode toma forma e força na periferia carioca com a reunião dos músicos das escolas de samba e anônimos, tendo como cenário os botequins de azulejos azuis; a malandragem, a velha reunião de amigos para festejar, mostrar uma nova composição, celebrar. Esta nova linguagem do samba chega às rádios e TVs e mostra ao Brasil quão grande era o poder do fazer artístico de pessoas tão simples.
Quem não se lembra ou conhece sucessos de Paulinho da Viola, Luiz Ayrão, Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, João Nogueira, Beth Carvalho, e ainda os compositores baianos: Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Panela, Batatinha, Riachão? Preciso, por uma questão de honra, transcrever uns poucos versos de “O Ouro e a Madeira”, composição de Ederaldo do Gentil: Não queria ser o dia só a alvorada/Muito menos ser o campo/Me bastava o grão/Não queria ser a vida/Porém o momento/Muito menos ser concerto/Apenas a canção. Simplesmente perfeita!
Agora, subitamente, sou lançada ao século 21 e me deparo com o que chamam de “evolução”: “chupa aqui pra ver se sai leite...” Chega! Nem será preciso escrever mais. Disseram e continuam dizendo que é pagode! Mas não se parece com nada do que eu descrevi sobre os nobres compositores e intérpretes acima.
E como roupa suja se lava em casa, para esse esdrúxulo verso acima eu digo: sem letra, sem harmonia, sem beleza, sem nada que possa ser chamado de pagode e muito menos de música. Aliás, nem sei a origem disso (bem que eu sei, mas...,). E não é nada salutar sairmos de Salvador para ouvir - e ter que concordar – que a música da Bahia que nos deu tanto, nos ponha em tal vexame. Para ouvir e ver que a mulher cantada por Dorival Caymmi não é a mesma profanada pelo tal “pagode” – mesmo sabendo que as seguidoras são muitas!!!!!
Profundamente, eu lamento e me entristeço por isso. Queria poder desligar o youtube, Orkut, Facebook, acabar com a internet, voltar à TV em preto e branco com no máximo aquela tela vermelha na frente, assim não passaríamos por isso.
Eu peço à Dona Ivone Lara, à Ederaldo Gentil, à Roque Ferreira, à Mangueira, à Portela, ao Salgueiro e a todos os sambista do nosso querido Brasil: Salvai-nos!!!!!!
*Cristina Maria Carvalho Nascimento é Bacharel em Composição (UFBA), Licenciada em Música (UCSal) Bacharel em Regência (UFBA). Professora de Música da Rede Estadual da Bahia.
Estou agora na década de 70, no Rio de Janeiro. Como um capilar do samba, o pagode toma forma e força na periferia carioca com a reunião dos músicos das escolas de samba e anônimos, tendo como cenário os botequins de azulejos azuis; a malandragem, a velha reunião de amigos para festejar, mostrar uma nova composição, celebrar. Esta nova linguagem do samba chega às rádios e TVs e mostra ao Brasil quão grande era o poder do fazer artístico de pessoas tão simples.
Quem não se lembra ou conhece sucessos de Paulinho da Viola, Luiz Ayrão, Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, João Nogueira, Beth Carvalho, e ainda os compositores baianos: Ederaldo Gentil, Edil Pacheco, Panela, Batatinha, Riachão? Preciso, por uma questão de honra, transcrever uns poucos versos de “O Ouro e a Madeira”, composição de Ederaldo do Gentil: Não queria ser o dia só a alvorada/Muito menos ser o campo/Me bastava o grão/Não queria ser a vida/Porém o momento/Muito menos ser concerto/Apenas a canção. Simplesmente perfeita!
Agora, subitamente, sou lançada ao século 21 e me deparo com o que chamam de “evolução”: “chupa aqui pra ver se sai leite...” Chega! Nem será preciso escrever mais. Disseram e continuam dizendo que é pagode! Mas não se parece com nada do que eu descrevi sobre os nobres compositores e intérpretes acima.
E como roupa suja se lava em casa, para esse esdrúxulo verso acima eu digo: sem letra, sem harmonia, sem beleza, sem nada que possa ser chamado de pagode e muito menos de música. Aliás, nem sei a origem disso (bem que eu sei, mas...,). E não é nada salutar sairmos de Salvador para ouvir - e ter que concordar – que a música da Bahia que nos deu tanto, nos ponha em tal vexame. Para ouvir e ver que a mulher cantada por Dorival Caymmi não é a mesma profanada pelo tal “pagode” – mesmo sabendo que as seguidoras são muitas!!!!!
Profundamente, eu lamento e me entristeço por isso. Queria poder desligar o youtube, Orkut, Facebook, acabar com a internet, voltar à TV em preto e branco com no máximo aquela tela vermelha na frente, assim não passaríamos por isso.
Eu peço à Dona Ivone Lara, à Ederaldo Gentil, à Roque Ferreira, à Mangueira, à Portela, ao Salgueiro e a todos os sambista do nosso querido Brasil: Salvai-nos!!!!!!
*Cristina Maria Carvalho Nascimento é Bacharel em Composição (UFBA), Licenciada em Música (UCSal) Bacharel em Regência (UFBA). Professora de Música da Rede Estadual da Bahia.
