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Artigo

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MUDANÇA ESTRUTURANTE NO SISTEMA DE TRANSPORTES DE SALVADOR

Nos últimos anos, Salvador viveu sob a síndrome do metrô, de 6 km, inacabado. Enquanto as vias públicas continuam travadas pelo excesso de veículos, sobretudo automóveis e ônibus, paira sobre as nossas cabeças um monstrengo arquitetônico símbolo da incapacidade dos governantes do município. Nos inquietamos diariamente com os elevados de concreto-sorvedouros de dinheiro público. É uma história que infelicita a cidade, que não vê a hora de virar esta página.

A oportunidade chegou. Lastreado nos recursos disponíveis para as obras da Copa, o governador Wagner decidiu promover mudança estrutural no sistema de transportes público da capital. Considerando que desperdício ainda maior é deixar de aproveitar a oportunidade dos recursos, decidiu pela conclusão imediata da Linha 1 do Metrô (Lapa-Pirajá), buscar ampliá-la para Cajazeiras; e construir a Linha 2 (Rótula do Abacaxi-Paralela-Lauro de Freiras), promovendo a integração a outros modais, como trem e ônibus.

Para Salvador dispor de um sistema de transportes capaz de desafogar as ruas do excesso de veículos, estão sendo articuladas pelos governos municipal, estadual, federal e iniciativa privada - além do Metrô - uma série de intervenções também nas vias públicas alimentadoras do sistema sobre trilhos - que serão servidas por ônibus -; além de intervenções em regiões nevrálgicas como Pituba-Iguatemi, Paralela-Orla e Subúrbio Ferroviário.

A decisão do governador merece aplausos. A cidade pode ser melhor do que é. Os empresários de ônibus constituíram nas últimas décadas uma espécie de cartel através do Sindicato das Empresas de Transportes Públicos de Salvador (Setps), tornaram-se poderosos agentes econômicos e de enorme representação política. Sem falar que o setor tem forte atuação no campo da publicidade em jornais e emissoras de rádio.

Ocorre, porém, que apesar de ser um sistema altamente lucrativo, os recursos auferidos pelas empresas jamais foram investidos numa proporção adequada para a melhoria contínua do sistema de transportes da cidade. Conhecemos bem os serviços de ônibus oferecidos à população. Os soteropolitanos e nossos visitantes merecem o melhor. Queremos o melhor. A cidade precisa do melhor. As pesquisas de viabilidade indicam que o transporte sobre trilhos oferece melhor custo-benefício. O metrô com todas as vantagens superiores aos ônibus representam potencialmente melhor qualidade de vida para toda a população metropolitana.

A comparação adequada dos projetos de Bus Rapid (BRT) e Metrô, apresentados no edital do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), realizado pelo governo baiano, não deixa margem à dúvidas acerca das vantagens sociais, econômicas, ambientais proporcionadas pelos transportes sobre trilhos. Lembramos ainda que o sistema de transportes é importante não apenas para a mobilidade urbana, mas sobretudo para os modos de uso e ocupação do solo. A melhoria dos usos e ocupação requer pesquisa e planejamento público profundo, qualificado e participativo.

A decisão do governador e do prefeito será seguida, agora, pela realização das audiências públicas, para ampliação e aprofundamento do debate acerca dos melhores caminhos para a cidade. Todos nós cidadãos estamos convocados a participar. Apesar do prefeito ter se recusado a convocar o Conselho da Cidade, apesar disso, a cidadania, as universidades, as associações de classes, de profissionais e de moradores devem manifestar-se para que, enfim, a Copa 2014 deixe um legado positivo e substantivo para os soteropolitanos.
 

*Vereador de Salvador, presidente da Comissão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente da Câmara Municipal.

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