E O NOSSO MUSEU DO SERTÃO?

Bahia - terra da alegria, da cultura, do carnaval, do axé, da gente festiva e diversas outras qualificações. Também de Rui, Jorge, João, Menininha e inúmeras outras destacadas personalidades. Terra das belas praias, dos faróis, do sincretismo religioso, do Senhor do Bonfim, de Oxosse, da Conceição da Praia, do Candomblé e incontáveis caminhos da religiosidade, para a conquista da glória dos Céus.
Com essas restritas qualificações, conclui-se que ela tem uma área geográfica de apenas 187 mil km², que representa 1/3 do verdadeiro e real território, coincidentemente aquele que, no passado distante, quase todo ocupado pela cana de açúcar, concentrava e ostentava as riquezas iniciais.
E os 2/3 restantes, que representam 376 mil km² de semiárido, sob um sol inclemente, de arrepiar, sagradamente cobertos pela caatinga e habitado pelos sertanejos - "caatingueiros de quatro costados"?
Será que não é chegado o momento de uma súplica? De um, pelo menos modestíssimo, pedido?
Se formos ao Pelourinho - a destacada marca da terra - encontraremos inúmeras baianas, berimbau, capoeira, praticamente uníssono o axé, o regue e ritmos tais.
E "cadê" o forró? A sanfona? O chapéu e o gibão de couro? O caipira? O carro de boi? As roupas de chita? O chapéu de palha?
Os nativos de Salvador e do recôncavo desconhecem a realidade da cultura sertaneja, a exemplo do vaqueiro - lucidamente há pouco reconhecido pelo Governador como patrimonio cultural, imatarial do Estado - e tantas outras marcas que representam uma resistência impar. De igual modo, os de outros cantos do mundo que veem à Bahia e visitam nossos pontos turísticos e culturais, dentre eles os museus.
Desta forma, é chegado o momento de "nóis", sertanejos e caatingueiros convictos, lutarmos à procura de um canto, de um espaço, em pleno Pelourinho, a fim de ser instalado o Museu do Sertão, do "cabra arretado" que enfrenta a vida com tantas dificuldades, denodo, convicção, esperança e fé.
Em tal acontecendo, a Bahia vai, cada vez mais, se constituindo numa terra deverasmente nordestina, também identificada pelo umbuzeiro, juazeiro, umburana, macambira, xique-xique, jurema...e o encantador mandacaru que, basta "botá fulô", a chuva chega, encharcando os bravos e admiráveis conterraneos de esperanças.
*Gilberto Brito é ex-deputado estadual pelo PR.
