PT NÃO QUER BASE DIVIDIDA

Apesar dos anúncios, ainda informais, sobre os nomes de integrantes de partidos da base aliada do governo estadual que pretendem ser candidatos à Prefeitura de Salvador nas eleições de 2012, o PT baiano trabalha com a unicamente com o cenário de um representante da legenda unificando todas as forças que estão ao lado do governador Jaques Wagner contra um ou dois vinculados aos partidos da oposição. Isto porque os petistas não acreditam muito que as oposições consigam se unir em torno de um só nome.
É claro que também são contabilizados na disputa representantes dos partidos menores, como o PSOL, uma vez que aqueles são obrigados a disputar o pleito com nomes próprios como forma de ganhar visibilidade, tentar conquistar cadeiras no Legislativo e, especialmente, ter espaço para divulgar suas posições. Exatamente o mesmo roteiro seguido pelo PT nos seus primórdios.
Quanto à base aliada, porém, o trabalho vai ser para que todos os partidos se unam em torno de um candidato petista, uma vez que a Prefeitura de Salvador é um sonho de consumo antigo do PT e os dirigentes da legenda não querem se arriscar a deixá-lo escapar agora, quando as chances de vitória são maiores do que nunca. Para isto, o PT aposta na força de atração que tem o poder, este representado na figura de Jaques Wagner, e pretendem usar isto para tirar da cabeça de lideranças do PDT, PP e do PCdoB, especialmente, a tese de que será possível o governo aceitar a presença de vários concorrentes saídos da sua base no primeiro turno eleitoral com a proposta de unificação apenas na segunda fase do pleito.
O próprio governador teve uma experiência nada boa em 2008, quando iniciou a campanha com o discurso de que seu governo tinha três candidatos disputando a Prefeitura de Salvador, Walter Pinheiro (PT), João Henrique (PMDB) e Antonio Imbassahy (PSDB). No fim, o que se viu foi uma briga de foice entre PT e PMDB, rachando a já trincada base aliada de então e a derrota petista com a reeleição do prefeito, numa vitória que quase todos consideravam impossível em abril daquele ano.
Portanto, se depender da vontade dos dirigentes petistas e, possivelmente, do próprio governador, o PCdoB pode tirar seu cavalinho da chuva em relação à candidatura da deputada federal Alice Portugal, o PDT pode sepultar novamente as pretensões do eterno postulante Marcos Medrado (também deputado federal) e o PP ponha sua viola no saco no que se refere aos sonhos inconfessados, pelo menos publicamente, do chefe da Casa Civil da Prefeitura, João Leão.
Numa conversa informal, há poucos dias, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, se não chegou a ser tão incisivo quanto outros petistas, deixou claro que sua expectativa é que o desejo dos aliados governistas não passe disto mesmo ou, talvez dure até algum tempo depois do cortejo cívico deste próximo Dois de Julho, quando, junto com os carros do Caboclo e da Cabocla, sempre desfilam muitos sonhos de candidatos. Ele acredita que, na hora certa, os aliados serão convencidos que a melhor opção será jogar todo o peso da base aliada num só nome para tentar ganhar a eleição ainda no primeiro turno, o que não é tarefa impossível especialmente se a eleição tiver características plebiscitárias,com apenas dois candidatos viáveis eleitoralmente, um governista e outro da oposição.
O presidente petista não informou o que considera a “hora certa”, mas, pela experiência de muitas eleições, isto deve significar o final do primeiro trimestre de 2012, quando a campanha eleitoral começa a definir seus contorno e só permanecerão na disputa os sonhos com fôlego suficiente para chegar ao cortejo do Dois de Julho daquele ano.
*Paixão Barbosa é jornalista e escritor.
