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Artigo

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MOBILIZAÇÃO EM DEFESA DO SISAL

A produção de sisal, que no passado alavancou o crescimento de inúmeras cidades do interior da Bahia, a exemplo de Conceição do Coité, Araci, Santa Luz, Valente, Retirolândia, São Domingos, Riachão do Jabuípe, Gavião e Queimadas, enfrenta um duro processo de decadência e crise sem precedentes. A falta de investimentos em novas tecnologias para a extração da fibra, aliada à estagnação na renovação da mão-de-obra, são as principais causas da drástica redução das exportações num setor em que a Bahia detém nada mais nada menos do que 92% do mercado nacional.

Para se ter uma idéia do quanto o cenário é trágico para a economia do estado e do país, em 1970 o Brasil produzia 210 mil toneladas de fibra de sisal e produtos acabados, a exemplo de tapetes e sacos. Em 1980, o número caiu para 177 mil toneladas. Em 1990, a produção foi de 150 mil. E, em 2010, alcançou o patamar de 66,2 mil. São dados relativos à exportação, visto que mais de 90% do que é produzido no país embarca para países como a China e EUA, os maiores mercados de consumo do mundo. 
A tendência, se nada for feito para incentivar o setor, é que a crise se agrave ainda mais, prejudicando cerca de 500 mil pessoas que ainda sobrevivem do sisal no entorno de toda área plantada no país. Vale lembrar que estamos falando de pequenos e médios produtores, que são responsáveis por praticamente a totalidade do que é plantado e extraído na Bahia e no Brasil.
Além da queda na produção, resultado do alto custo da extração nos campos de sisal, a crise e a falta de atratividade tem remanejado muita gente do sisal para outras culturas ou setores econômicos em crescimento, a exemplo da construção civil. Hoje, a média da faixa etária dos produtores e dos que trabalham na extração da fibra de sisal gira em torno de 45 anos. Os mais jovens perderam o interesse em extrair a fibra. Estima-se que 70% das pessoas que trabalhavam com o sisal tenham abandonado a cultura nos últimos dez anos.

Em parte, isso se deve ao fato de que a máquina utilizada para extrair a fibra é a mesma há 60 anos. Países que produzem menos, a exemplo da China e México, já contam com máquinas automatizadas e mais seguras. Um dos desafios da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Bahia é incentivar o aperfeiçoamento tecnológico para a produção em escala de máquinas mais modernas. Isso é tão ou mais importante quanto pesquisas que garantam o aproveitamento de 100% da folha do sisal. Hoje, as fibras representam apenas 5% da planta, que pode ser utilizada até para a fabricação de inseticidas. 

Esse, por sinal, será um dos assuntos que vamos discutir na audiência pública que a Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa da Bahia realiza no próximo dia 12, em Conceição do Coité, para propor soluções para a crise enfrentada pelo sisal. A audiência será realizada no Centro Cultural de Conceição do Coité, com a presença do secretário da Ciência e Tecnologia, Paulo Câmera, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), do Sindicato das Indústrias de Fibras Vegetais (Sindifibras), além de produtores e exportadores.

Como deputado estadual representante da região sisaleira, vou propor que o governo do estado firme parcerias internacionais para buscar o aperfeiçoamento tecnológico para extração da fibra de sisal, o que é fundamental para o crescimento da produção e a renovação da mão-de-obra. Uma das soluções pode ser a abertura de uma concorrência internacional para a compra de máquinas automatizadas por parte do governo. Vou lutar ainda pela criação de linhas de financiamento, pois o sisal nunca recebeu a atenção dispensada por outras culturas, a exemplo do cacau.

Não podemos deixar o sisal morrer. Se isso acontecer, toda a região sisaleira sofrerá um duro golpe com catastróficos efeitos econômicos para todo o estado. O desafio é garantir que a Bahia volte a produzir sisal como no passado pujante, promovendo o crescimento sustentável e viabilizando que os homens mais simples do campo possam permanecer em suas terras e depender cada vez menos do assistencialismo governamental.

*Tom Araújo é deputado estadual pelo DEM e membro da Comissão de Agricultura da Assembleia. Já foi prefeito de Conceição do Coité. Está no primeiro mandato

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