MONITORAMENTO DO AR

Um homem adulto inspira cerca de 10 mil litros de ar por dia, consumindo em média 400 litros de oxigênio. Ao contrário da água que passa por tratamento prévio para tornar-se potável não é possível controlar a qualidade do ar no momento do consumo, o que evidencia a importância do monitoramento para preservação da sua qualidade.
A poluição do ar ocorre com o lançamento no ambiente partículas e gases gerados por veículos, indústrias e outras fontes, contaminando milhões de pessoas em todo o mundo, especialmente as que vivem nos grandes centros urbanos com tráfego intenso de veículos. Cada carro pequeno emite, em media, 10 toneladas de CO2/ano.
Dados internacionais chamam atenção. No ano de 1956, em Londres, quando um intenso nevoeiro de poluição foi responsável por cerca de 4 mil mortes e mais de 20 mil casos de doença, os ingleses aprovaram a Lei do Ar Puro, estabelecendo limites para emissão de poluentes e níveis aceitáveis de qualidade do ar. A partir daí leis foram aprovadas nos Estados Unidos, Europa e Japão, regulamentando a qualidade ambiental naqueles países. Em 2007 a Suprema Corte americana determinou que a lei do Ar Puro, de 1970, fosse cumprida pela Agência de Proteção Ambiental. No Brasil, a Lei 6.938, de 1981, estabeleceu a Política Nacional de Meio Ambiente. Agora, a Lei 12.056, de 07 de janeiro de 2011, institui a Política de Educação Ambiental do Estado da Bahia, "entendendo a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania".
Hoje, enquanto pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1.4% das mortes no mundo são causados pela poluição do ar, o New England Journal of Medicine mostra que a medição e a consequente melhora de qualidade do ar nas cidades americanas é responsável por 2 anos acrescentados na vida dos americanos.
A motivação para o controle de poluição do ar é baseada em três princípios importantes: A proteção contra os comprovados impactos na saúde da população, a prevenção contra esses possíveis impactos e a motivação ética de viver, prazeirosamente, em ambiente limpo e saudável. Além de importante para o ambiente urbano sadio, o monitoramento do ar é uma das exigências da Fifa para as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.
Capitais brasileiras avançam na medição e no controle da qualidade do ar. Em São Paulo, onde a política municipal sobre a mudança do clima foi estabelecida através da Lei 14.933/09, cientistas do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP afirmaram que a redução de 30% da poluição do ar traria a queda de 5% nos casos de infarto do miocárdio e de 6% nos de câncer de pulmão e a cidade economizaria cerca de 300 milhões de dólares ao ano com a saúde.
O governo carioca firmou parceria com a Agência Francesa de Meio Ambiente para a transferência de tecnologias e equipamentos para o sistema de monitoramento da qualidade do ar no projeto Ar do Rio. Instalando centrais de monitoramento do ar na região metropolitana, atualizam o inventário e fazem o georreferenciamento das fontes de emissão.
Belo Horizonte está equipada com novas estações informatizadas contendo coletores, medidores de gases, sensores meteorológicos e equipamentos para geração e transmissão de dados pela Fundação Estadual de Meio Ambiente.
Salvador inaugurou, em dezembro passado, a primeira das nove estações de monitoramento do ar instalada no Centro Administrativo da Bahia, com dados divulgados a cada hora através do site da Cetrel (www.cetrel.com.br) permitindo que, a partir das informações obtidas, o poder público possa agir para promover melhorias na qualidade do ar urbano.
Em abril de 2011, especialistas do Wessex Institute of Technology (WIT), da Inglaterra, promotores da Air Pollution 2010 (18ª Conferência Internacional sobre Modelagem, Monitoramento e Gerenciamento da Poluição do Ar) realizado na Grécia; estarão em Salvador para o "I Seminário sobre o Monitoramento do Ar", promovido pela Associação Comercial da Bahia e Rotary Baía de Todos os Santos, reunindo especialistas de todo o país.
Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil - eduathayde@gmail.com
