MILITÂNCIA E JUVENTUDE
Entre as temáticas que cercam o mundo da política, certamente as duas que dão titulo a este artigo têm reservado um lugar destacado. Ainda que sejamos ocidentais e influenciados pela pólis grega, que cultuava a maturidade como um elemento importante para a participação na vida política das cidades, não há como deixar de perceber que a política, no que tange os partidos, sindicatos, movimentos sociais e outras organizações sociais, prescinde da juventude e da sua consequente militância para existirem.
Resgatando o significado da palavra militância inclinamo-nos à palavra militante que é aquele que atua, exercita, pratica ou que “pode ser definido como aquele que defende ativamente uma causa e entra em combate para ver vitoriosas as ideias do grupo a que pertence”. Curiosamente, também, a palavra militante deriva do latim militare, aqui tomado como verbo, que relaciona o uso da sua origem a partir da Idade Média quando, então, colocado na condição de adjetivo qualifica a ação da Igreja.
Juventude, entretanto, nos convida a uma reflexão sobre a palavra adolescer do latim ad (para) junto a olescere (crescer). Portanto, nos remete a desenvolvimento, a um processo de maturação, de preparação. Neste particular, o mundo ocidental criou, infelizmente, a noção de crise para tal termo. Crise no sentido de problema e não como uma fase onde são maturados valores sociais, políticos, religiosos, enfim, valores culturais.
O enquadramento cultural exposto brevemente no paragrafo anterior no faz suscitar a polêmica de que existe fase, momento para ser militante, ou, quando fazemos referência ao termo juventude associando-o a rebelde ou rebeldia, ato este, o de ser rebelde, enquadrado em uma fase permitida e aceita pela sociedade. Se nos primórdios do termo militante lutar por uma causa significava ostentar um certo status, a posteriori o ser militante passou a ser relacionado àquele (a) que representa uma ameaça ao status quo estabelecido.
As questões contemporâneas que cercam o debate sobre militância e juventude no Brasil, como, de certo modo, em toda a América Latina possuem laços fortes com os tempos duros de enfrentamento às ditaduras militares implantadas entre as décadas de 50 e 70. O forte apelo à militância pelo socialismo, antes mais presente, recrudesceu após a queda do muro de Berlim. Entre os anos 80 e 90, todavia, militância e juventude passam a compor os panfletos de organizações não-governamentais, em particular as ambientalistas.
À medida em que o século XX chegava ao fim e os primeiros sinais de esgotamento das práticas neoliberais eram dados, em paralelo, tem-se a formulação de um novo referencial de militante e juventude. Em primeiro lugar militantes despregados e que ojerizam a prática militante partidária, embora tomem partido de uma causa ou de um ideal. Em um outro patamar a questão da juventude passa a responder e a caracterizar-se a partir de um problema criado pelo capitalismo contemporâneo: a longevidade da adolescência.
Cumpre esclarecer que este problema é mais encontrado nos países que não pertencem ou não pertenciam ao centro da economia internacional. A falta de esperança e de perspectiva de ascender a uma condição socioeconômica mais cômoda levou e, ainda leva, um bom número de jovens a permanecerem na casa dos pais.
*Sandro Santa Bárbara é professor, cientista político e secretário político do PCB na Bahia
