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Artigo

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UM MITO CHAMADO LULA

Getúlio Vargas afirmou, na sua carta testamento, que sairia da vida para entrar na história. De fato, o caudilho de São Borja entrou para a posteridade. Não somente por ter tirado a própria vida em uma manhã da primavera de 1954, mas também porque foi, independente de inclinações ideológicas, um dos maiores políticos de todos os tempos.

Em 2003, Lula ingressou simples mortal na Presidência da República e deixou o cargo, em 1º de janeiro de 2011, na condição de mito. Parafraseando-o, nunca na história deste país um chefe da nação passou a faixa verde-e-amarela gozando de tanto prestígio. Aliás, jamais um mandatário supremo conseguiu emplacar o “herdeiro”. Soma-se a isso a imensa comoção que o povo tem demonstrado pela saída do “filho do Brasil”, que, de quebra, também ostenta o título de maior quebrador de protocolos e oficialidades da história.

Nenhum chefe da nação exalou tanto otimismo quanto Lula. Parece irrelevante, mas tal fato foi de uma preponderância ímpar, inclusive para a consolidação de uma posição mais altiva perante o bloco de países mais ricos. Fato semelhante ocorreu nas medidas ante a crise financeira mundial, que, contrariando prognósticos catastróficos, passou por aqui como uma “marolinha”.

Contextualizando a discussão no campo político, Lula concentrou o governo em um trinômio aparentemente simples: austeridade econômica, ousadia nos planos sociais, cujos programas de transferência de renda e a criação de uma imensa rede de auxílio aos mais pobres foram marcas evidentes, e, por fim, projetos estruturantes na área de infraestrutura. Os fatores acima elencados fizeram com que o país crescesse em ritmo acelerado.

Um dos principais traços das transformações positivas ocorridas entre 2003 e 2010 foi o aumento do poder de consumo da chamada classe C, para a qual emergiu um exército de mais de 30 milhões de pessoas. Eis que surgiu um novo nicho consumidor, que todos os meses vai às compras com apetite voraz, fazendo girar a tão dinâmica roda da economia.

Realinhando a lógica - O ProUni representou a quebra de uma inversão de valores de caráter secular, pois foram criadas condições efetivas para que os filhos dos pobres pudessem intensificar presença nas faculdades. Em paralelo, foram empreendidos esforços para o fortalecimento das universidades públicas. Quem viveu a puberdade na década de 80 e 90 lembra dos enormes obstáculos existentes para se graduar em estabelecimentos geridos pelo governo. A dificuldade começava no ingresso, uma vez que as vagas eram preenchidas majoritariamente pela classe média alta, e prosseguia com as intermináveis greves, decorrentes dos baixos salários pagos aos professores e o sucateamento das instalações físicas.

A Bahia saltou de uma para duas instituições federais de terceiro grau, o que ainda é insuficiente. Mas, na prática, esse acontecimento acabou por alterar até mesmo o perfil de algumas cidades, vide o exemplo de Amargosa, que tem ganhado novas feições após a implantação da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), cujo modelo de organização é multicampi. Ou seja, com instalações em vários municípios, embora a sede central seja em Cruz das Almas.

Aos críticos e ferrenhos opositores do governo Lula, estes tendem sempre a dar mais relevo aos equívocos do que aos acertos, aceno que algumas ações fundamentais não foram feitas, vide as reformas Política, Tributária e da Previdência. Porém, cabe sublinhar que em oito anos não é possível contemplar as demandas nacionais historicamente acumuladas. Além do mais, o alcaide petista nunca gozou de maioria absoluta no Congresso. Logo, sem Congresso progressista, não há alterações profundas.

Lula esticou a corda das transformações até o limite da sua tensão. Avançou até aonde deu. Promoveu todos os avanços possíveis. Sendo assim, deu uma lição a todos os brasileiros: vontade política, criatividade e bons projetos devem estar na alça de mira do bom gestor. E isso, caros companheiros, infelizmente – ou felizmente - não se aprende de forma cartesiana nos bancos das universidades. Nunca antes na história desse país.

* Luiza Maia é professora de formação e deputada estadual eleita pelo PT.

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