A VOLTA DO SERTANEJO

No início, raiando o século XX, houve retirante nordestino que alcançou o eldorado paulista arrastando as "precata de couro" ou as "butina rigidêra" . De Paramirim, o velho João Batista, que há muito repousa, foi um dos baluartes. Nos idos de 50 em diante, bem menos sofridos, seguiam no "pau de arara", até surgir o conforto do ônibus, que acontece até os dias atuais.
A história revela que por estes meios a gente sertaneja sempre saiu à procura de trabalho no rico São Paulo, em especial no interior. Os de vanguarda, para a cafeicultura. Os dos últimos tempos, para o corte de cana, destinada ao fabrico do álcool-combustível. Quanto a estes, uma observação: todo ano, entre os meses de fevereiro e março, milhares dos que residem na região sudoeste do nosso Estado e oriundos de Estados outros do nordeste, lotam onibus e seguem para a batalha, deixando para trás as "viúvas de maridos vivos" e retornam, qual Asa Branca, por volta de outubro e novembro, quando das "chuvas de trovoadas", para lavrarem as terras e plantarem feijão "catador" e milho.
Advindo as odiernas e acertadas preocupações ambientais, criou-se o Tratado de Kioto, inspirador do parlamento paulista para conceber determinada legislação, que dentre as proibições impostas está a crescente redução, ano pós ano, da queima da palha da cana, que precede ao seu corte, até pouco tempo feito, exclusivamente, de forma manual.
Com isto, à proporção que o corte manual vai se tornando impossível, as máquinas vão sendo utilizadas, como bem enfocou o importantíssimo Globo Rural, o que implica em desemprego crescente, realidade bastante cruel, isto porque os milhares de "retirantes" virão a ser transformados, progressivamente, em desempregados aos "montes".
Quem já conviveu e convive com "a triste partida" daquela gente, bem sabe o quanto cada um deles contribui para o aquecimento da economia da terra natal, não só porque mensalmente envia numerário bastante ao sustento da respectiva família, como pela reserva acumulada que traz consigo, quando do tão sonhado retorno.
Ante este duro enfrentamento, é hora de todos, especialmente os que se encontram à frente dos poderes públicos, buscarem alternativas para tão grave problema que se anuncia, sob pena de convivermos com cenas jamais pensadas, jamais vistas. Isto mesmo sendo o "nordestino um forte" - um cultivador da paz.
Mesmo limitado na técnica rural, contudo apaixonado pela causa, acredito ser chegado o momento histórico para o incremento das barragens subterrâneas; plantio adensado de palma - que faz aumentar a produção em seis vezes; incremento de irrigação por gotejamento e microaspeção; retomada da caprino-ovinocultura, abandonadas com o advento do africano capim "búfalo"; aproveitamento de toda cadeia produtiva dos produtos naturais, economicamente viáveis, especialmente as frutas nativas; encilagem e fenação, afora ações diversas, bem do conhecimento dos competentes e comprometidos técnicos da EBDA, sem que esqueçamos a EMBRAPA, das mais respeitadas instituições do gigante Brasil.
*Gilberto Brito é deputado estadual pelo PR
