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Artigo

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CALÇADAS E PASSEIOS DE SALVADOR: UMA QUESTÃO RESOLVIDA, QUE NÃO RESOLVEM

Um dos aspectos mais degradantes da nossa cidade, que nos envergonha e incomoda, é o estado dos passeios ou calçadas por onde transita diariamente o sofrido soteropolitano. Em todos os bairros, desde os chamados proletários onde vive a maioria da população, até os mais tradicionais e valorizados como o Corredor da Vitória, a Barra e o Comércio da Cidade Baixa, entre outros, o estado dos passeios é deplorável.

O curioso ou melhor incompreensível, é que a construção e conservação dos passeios ou calçadas, compete ao proprietário do terreno ou prédio que lhe é adjacente, o qual com certeza não se recusaria a assumir o custo desses serviços considerando os beneficios diretos que colheria. A Prefeitura portanto, competiria apenas fiscalizar e fazer cumprir a lei ou decreto que rege o assunto.

Assim não vale a custumeira alegação, muitas vezes compreensível, da falta de recursos para justificar a omissão do poder público em cumprir com seus deveres e obrigações. No caso em questão, seria preciso apenas que os seus engenheiros e arquitetos especificassem o material a ser usado e definissem o projeto a ser adotado, que deverá ter um custo razoável, resistência comprovada e evidentemente considerar os aspectos relativos à estética, funcionalidade e beleza.

Mas, a propósito de funcionalidade é oportuno um comentário sobre as famigeradas pedras portuguesas, uma pavimentação absolutamente antifuncional porque  imprópria e inadequada à realidade da nossa cidade. Infelizmente temos o vicio cultural de copiar e muitas vezes copiar mal. Queremos repetir as calçadas de Lisboa, quase todas em pedra portuguesa compondo belos e bem elaborados mosaicos, agradáveis de se ver e por eles passeiar. Como não dispomos  de material adequado (pedras lisas e regulares), mão de obra especializada, e recursos para uma dispendiosa manutenção, o que vemos é uma imitação grotesca do que fazem em Portugal, tendo como resultado um pavimento irregular e mal acabado que facilmente se desagrega, tornando o nosso caminhar desconfortável e em alguns casos uma arriscada aventura.

Finalizando, lembro que os países chamados desenvolvidos, adotam em larga escala o concreto, seja em placas premoldadas ou moldado “in loco”. Na França é comum o asfalto, que não é aconselhável em nosso caso. O importante é enfatizar, que em geral são materiais de baixo custo, alta resistência e comprovada funcionalidade, como alias já sugerimos anteriormente. Não vamos apenas copiar ou imitar, mas aproveitar as boas ideias, adaptando-as as nossas condições e necessidades.

Álvaro Conde Lemos Filho é engenheiro civil e empresário

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