CERIMONIAL DE CONDUTA: A LOGÍSTICA DAS BOAS MANEIRAS NAS RELAÇÕES HUMANAS

Como um ser social, o homem é incapaz de viver dentro de um universo alheio à sociedade a qual pertence e, nesta convivência comum, embora possa usufruir de direitos que lhe são inerentes, ele está submetido ao cumprimento de deveres e obrigações. Dentro desta perspectiva, com vistas ao desenvolvimento das relações humanas, existe uma ética estabelecida e paralelamente, segundo os manuais de filosofia, existe também uma moral que vai delineando o comportamento social mediante normas de conduta criadas com o objetivo colocar o homem em equilibrio com o seu meio.
Acrescenta-se ainda que as normas de conduta evoluem a partir da incorporação das regras de boas maneiras, pois estas em um primeiro momento, de acordo com o contexto da época, abastecem com informações culturais as linhas de comportamento, os estilos e as formas das pessoas se relacionarem sob um domínio ético-moral. Há muito, Aristóteles (384-322 a.C) o grande filósofo grego, já citava as boas maneiras como um princípio básico para e exercício da cidadania. Outros, a exemplo de Confúcio (551-479 a.C) deixaram para o mundo lições de tradições milenares que regem até hoje o cerimonial de conduta quando ensinaram que é através das ações e das palavras, costumes e crenças que reina a disciplina e a ordem social.
O Livro dos Ritos, uma publicação chinesa editada por volta dos primeiros anos da era cristã, com tradução do Pe. Joaquim A. de Jesus Guerra para o português, intitulada O Cerimonial, é um tratado de boas maneiras, com preceitos cerimoniais estabelecidos com vistas a regular o comportamento nas mais diversas situações humanas. Quer seja contextualizado em um tempo histórico distante, no presente ou no futuro, o fato é que o culto ao cerimonial de conduta faz parte do cotidiano das pessoas, revelando o grau de civilidade de cada um e funcionando como um instrumento norteador das posturas mais adequadas nas relações em família, no trabalho e na vida social.
O mestre Nelson Spears, o expoente do Cerimonial Brasileiro, afirma que: "o cerimonial é acima de tudo um instrumento de convívio". De acordo com esta linha de pensamento, situa-se primordialmente, o cerimonial nas suas mais diversas vertentes, quer seja diplomática, empresarial, militar, esportiva, social, religiosa, entre tantas outras, como um elemento singular na vida das organizações e das pessoas que a representam. Considerando que em um mundo interconectado, onde a necessidade de comunicação entre os mais diversos segmentos da sociedade e entre nações se expande de forma sistêmica, torná-se imprescindível a existência de uma linguagem que respeitando os espaços individuais, harmonize as barreiras, às diferenças culturais e às posições hierárquicas.
O papel do cerimonial e da conduta na logística das relações humanas fazem parte de um cardápio extenso de procedimentos que envolvem sobretudo educação, bom nível cultural, respeito as normas e tradições e, sobretudo envolve o domínio das regras de boas maneiras. Quando estes preceitos não são observados, certamente equívocos são cometidos e regras institucionalizadas são infringidas, criando-se situações de constrangimento e de comprometimento, o que contradiz com às exigências do cenário atual no qual projetar uma imagem positiva tornou-se um imperativo para pessoas e instituições.
Portanto, ratificando a posição da imprensa acerca de algumas questões que vem sendo abordadas mais recentemente: quem urina e joga lixo nas ruas e estaciona indevidamente o carro nas vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais e aos idosos, não é uma pessoa educada, não tem respeito pelo seu próximo e seguramente não tem a dimensão de si próprio e dos valores que alicerçam a cidadania.
"O grande desafio não é interpretar o mundo. É mudar o mundo" (Theodoro W. Adorno – filósofo alemão).
*Consultora na área de Cerimonial, Protocolo e Etiqueta Profissional. Graduada em História, tem especialização em Administração e Organização de Eventos Públicos e Privados e em Educação a Distância.
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