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Artigo

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CONSUMO, ESTÉTICA E ATITUDE “ECO-FRIENDLY”

Lívia Barreto e Maria Inês Carvalho

O documentário de Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente” impactou a opinião de milhares de pessoas no mundo inteiro.

O grande debate em torno do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas nos fez um alerta para as conseqüências do aquecimento global que levaria à desaparição de várias espécies de vida, à desertificação de extensas áreas em todo o mundo, ao degelo das capas polares, e a tantas outras mudanças que os cientistas não mais consideram exageradas ou falsamente alarmantes. Assim, o tema tornou-se praticamente obrigatório na agenda de todos nós.
O planeta está exigindo um ser humano mais participativo e solidário, que consiga desfrutar de todo o progresso que conquistou, causando menos impacto ao nosso sistema.
Se nos conscientizarmos da incrível velocidade com que corre o tempo e das mudanças que vêm acontecendo no campo climático, nos daremos conta de que temos que começar a agir imediatamente, se desejarmos contribuir para alterar os cenários negativos apontados pelos cientistas.
E, nesse sentido, a utilização de energias limpas e renováveis aparece, cada vez mais, como sendo a saída para a redução e o controle das emissões de dióxido de carbono (CO2) lançados na atmosfera.
Considerando que – "de temps en temps" – notícias que dão conta da iminência do fim do mundo reaparecem, elas deveriam servir para ajudar-nos a fazer reflexões a propósito de nossas vidas, de nosso cotidiano e das várias maneiras de tornar menos sombrio o futuro que nos anunciam. Adriana Calcanhoto, repetindo o que já cantara Carmen Miranda, nos ensina numa bela canção que “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”, e que temendo este fim terminamos por estabelecer procedimentos e atitudes inusuais na nossa vida, numa espécie de despedida, porque, talvez seja mais cômodo pensar que o fim será inevitável. Vale lembrar, entretanto, que não serão as atitudes inusuais que resolverão o problema. Atitudes e medidas “Eco-friendly”, estas, sim, serão capazes de alterar o curso dos prognósticos mais sombrios.
Não temos a pretensão de sugerir um “dever de casa”, mas podemos compartilhar experiências fundamentais que ajudarão a refletir sobre as pequenas mudanças que cada um pode fazer em sua própria vida e, assim, contribuir para a sustentabilidade do nosso planeta.
O primeiro passo para a construção de um planeta saudável começa pelo nosso mundo pessoal através, por exemplo, da desconstrução de crenças e hábitos, sobre os quais jamais fizemos reflexão alguma. Para tal, é necessário que passemos por um processo de reeducação do nosso estilo de vida e de nossa estética de consumo.
Aprender a viver de forma sustentável é aprender a viver de maneira mais simples, sabendo que a simplicidade é uma forma mais elegante e, muitas vezes, mais segura.
Incluindo pequenas mudanças no dia-a-dia e adotando atitudes “Eco-Friendly”, podemos gerar maior harmonia no Planeta - especialmente se nos empenharmos em conhecer as iniciativas que existem ao nosso redor.
No nosso dia-a-dia doméstico podemos facilmente inserir novos hábitos, como, por exemplo: fazer uso de papel reciclado e aproveitá-lo de todas as formas antes de reciclá-lo novamente, usando os dois lados do papel para fazer anotações; evitar o consumo de produtos não degradáveis, porque fazem danos ao meio-ambiente; devolver as pilhas de rádio e dos controles remotos onde as adquirimos ou colocando-as em lixos especiais, para evitar que sejam jogadas em lixeiras comuns; fazer uso de produtos biodegradáveis; estabelecer a coleta seletiva para o lixo doméstico; não desperdiçar energia e até participar de processos de mobilização que buscam conscientizar sobre o assunto, como é o caso, por exemplo do festival de música LiveEarth.
Muitos já conhecem as vantagens dos produtos orgânicos; nós podemos reafirmar, sem margem a dúvidas, serem eles mais saudáveis e mais saborosos. Consumi-los de maneira regular é uma outra atitude que podemos adotar imediatamente, já nas compras do supermercado desta semana.
Ao comprar um automóvel, invista num carro que polua menos a nossa cidade e o nosso planeta e ainda nos alegra pelo fato de que utilizando etanol, estamos dando uma “turbinada” na economia e na criatividade brasileira.
Nosso consumo deve resultar de uma atitude consciente de selecionar os produtos que compramos e usamos, dando preferência aos que causam menor impacto negativo e privilegiando as empresas e os produtos que buscam reduzir a degradação do meio ambiente e investem na preservação ambiental.

Maria Inês Carvalho é administradora de empresas, membro do Conselho Estratégico do Instituto “Faça Parte” e do “Compromisso Todos Pela Educação”, Bahia.
Lívia Barreto é psicóloga e foi coordenadora do “Acorda Brasil”, do MEC.

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