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FALTA DE INVESTIMENTOS PODE LEVAR A BAHIA À PERDA DE LIDERANÇA NO NORDESTE


Carlos Ricardo Gaban

A falta da capacidade do Governo Wagner de atrair novos investimento, principalmente na área da petro-indústria,  poderá levar a Bahia à perda de sua posição no cenário econômico nacional. A afirmativa baseia-se na comparação feita com os planos de investimentos de diversos estados, em que fica clara a falta de prestígio ou de conhecimento administrativo da atual equipe de Jaques Wagner, para atrair recursos aplicáveis em atividades produtivas.

Recentes estudos da Federação de Indústria do Estado do Rio Janeiro (Frijan) preveem investimentos de R$ 126,3 bilhões em projetos públicos e privados para o período de 2010/13, sendo que desse total, R$ 77,1 bilhões serão realizados diretamente pela Petrobrás, enquanto que o restante – R$ 28,6 bilhões e R$ 20,3 bilhões – se localizarão nas áreas de infraestrutura e na indústria de transformação, ficando R$ 300 milhões para os demais setores. Todo este investimento representará a geração de 360 mil empregos diretos e indiretos, capazes de impulsionar a economia do Rio de Janeiro a um acréscimo de sete pontos percentuais na participação do PIB (Produto Interno Bruto), devendo chegar a 20% do PIB nacional. Enquanto isto, aqui na Bahia, não existe nenhum grande investimento na área produtiva.

O anúncio pelo governo baiano de investimentos na ordem de R$ 1,8 bilhão para os próximos anos, contrasta com a agressiva política adotada pela União para estados como o Maranhão ou Pernambuco, que deverão receber dezenas de bilhões de reais nos próximos anos.

Projetos como a Refinaria Premium de Bacabeira, a 60 km de São Luís, capital do Maranhão, e o Complexo Industrial Portuário de Suape, a 35 Km de Recife, Capital do Estado de Pernambuco, são exemplos de como uma gestão atuante é capaz de atrair investimentos favorecendo o crescimento econômico de uma região. Os recursos destinados à construção da Refinaria Premium de Bacabeira e a sua integração com o moderno Porto de Itaqui (onde também deverá ser construído um avançado pólo petroquímico), deverão ultrapassar nos próximos três anos a grandiosa quantia de R$ 40 bilhões, gerando 42 mil empregos diretos. Para o Complexo Industrial Portuário de Suape estão sendo esperados investimentos superiores a US$ 25 bilhões, com a integração de 96 grandes empresas e a geração de 47,7 mil empregos diretos na construção, 12,5 mil na operação e mais de 200 mil empregos indiretos.

Também a Usina de Estreito, erguida no meio do Rio Tocantins, no Maranhão, pode ser considerada mais um mega-projeto que absorverá investimentos de mais de R$ 3,8 bilhões dos recursos do PAC, e permitira a geração de 5,5 mil postos de trabalho em sua construção, e preparará o estado de Maranhão para o crescimento industrial esperado com a implantação da Refinaria de Bacabeira.

Na minha opinião, a escassez de investimentos públicos na Bahia talvez seja a principal causa da queda de arrecadação nos últimos meses e não apenas a crise econômica, o que aumenta a responsabilidade do Governador Wagner, e a sua inexplicável falta de prestígio junto ao Governo Federal, sobre os problemas que afligem a Bahia, tais como a crise na segurança pública, a falta de investimentos na educação e a total falência da rede pública estadual de saúde, principalmente em razão da falta da aplicação de recursos destinados à modernização dos equipamentos públicos.

A queda da participação da economia baiana sobre o PIB nacional já pode ser sentida, – em 2004 o ICMS arrecadado na Bahia correspondia 5,2% de todo o ICMS arrecadado no Brasil, em 2009, após uma trajetória de queda livre nos últimos 2 anos, a participação da Bahia no ICMS nacional caiu para apenas 4,5% em 2008 e projeta até o final do ano de 2009 chegar em 4,3%, situação que tende a se agravar, quando as industrias que estão se implantando nos outros estados começarem a operar a todo vapor.

Aliás, a preocupação com a perda de espaço da petro-indústria baiana é uma preocupação recorrente, pretendo iniciar uma série de visitas técnicas para verificar “in loco” os investimentos estatais no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj e no Complexo Industrial Portuário de Suape, e os seus efeitos na economia baiana.
- Quando o Pólo Petroquímico de Camaçari foi inaugurado no final da década de 70, o impacto positivo sobre a economia foi fundamental para o atual estágio de desenvolvimento industrial da Bahia. Na época gerou mais de 17 mil empregos diretos e foi considerado o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, o que estamos vendo hoje é o deslocamento do eixo produtivo para estados como Pernambuco, Maranhão e o aumento da participação do estado do Rio de Janeiro.

Temo o desastroso desempenho da equipe econômica e de planejamento do governo Wagner, possa causar danos irreversíveis na economia baiana, e cito como exemplos as sucessivas contradições nos balanços e contas públicas, os atrasos dos fornecedores, a perda de arrecadação, o trem da alegria e a consequente desestruturação do fisco baiano, como exemplos dos efeitos de uma gestão temerária e irresponsável, como a que vem sendo levada a efeito pelo Governador Jaques Wagner, o secretário Carlos Martins e sua equipe de amadores.

* Carlos Gaban, deputado pelo DEM e membro titular da Comissão de Finanças, Orçamento, Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa da Bahia.

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