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Artigo

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A medicina e o marketing eleitoral pararam no tempo?

Por Nelson Cadena

Foto: Acervo pessoal

A tecnologia, ao contrário do que se propaga por aí, em nada — ou quase nada — contribuiu para melhorar o nosso cotidiano no sentido prático de oferecer respostas às nossas necessidades e ampliar o conhecimento. Ao contrário: em muitas áreas, estacionou. Em algumas profissões, mais do que em outras. A medicina ambulatorial e o marketing eleitoral para o parlamento, são exemplos dessa evidente estagnação.

 

A medicina, parece ter retornado ao patamar de épocas em que o diagnóstico e o tratamento das doenças eram baseados muito mais na observação e na experimentação do que no conhecimento científico. No passado, emitia-se um diagnóstico a partir de sinais elementares e, a partir dele, tentava-se um tratamento empírico. A sangria, por exemplo, era utilizada para eliminar o chamado “sangue ruim”. No século XIX, as sanguessugas ganharam espaço nessa prática e eram cultivadas em algumas regiões do Brasil, inclusive na Bahia, especialmente no Recôncavo.

 

Retomando a questão do diagnóstico, no passado, o médico arriscava um parecer, que nem hoje, a partir de determinados sinais: febre, alteração na cor da pele, tosse, dor, aspecto dos olhos, entre outros sintomas observáveis. Atualmente, diante de um quadro cujo diagnóstico não consegue ser estabelecido com celeridade, o paciente é informado que está com “virose”. Que na tradução literal significa: “não sabemos o que você tem; pode ser qualquer coisa”. E mesmo com o diagnóstico incerto, o médico emite uma receita. O velho método da tentativa e erro. 

 

Em relação ao marketing eleitoral para o parlamento paramos o relógio em meio século. Continuamos, em essência, praticando a Lei Falcão, de 1976, que transformou a divulgação das candidaturas no rádio e na TV, numa espécie de lista de chamada: um locutor apresentava o candidato e, na televisão, exibia-se seu retrato. Na atualidade, a fórmula ganhou cores, movimento, recursos digitais e inteligência artificial. 

 

A estrutura é a mesma: uma voz anuncia o candidato, sua imagem aparece na tela e, em cinco segundos apresenta a sua proposta de governo. O marketing eleitoral não descobriu uma forma de comunicação mais eficiente para apresentar o candidato ao eleitor. A Lei Falcão tinha o propósito escuso de limitar o fortalecimento da oposição à ditadura. O formato de “Lei falcão”, atual é democrático, porém fortalece a desinformação. O eleitor não sabe quem está falando com ele e na barafunda de cores, rostos e sons, nem o que está falando.

 

O formato teatral das candidaturas majoritárias nos debates televisivos é outra vertente da desinformação. Ao confinar um mutirão de candidatos a blocos engessados, o modelo aniquila qualquer espaço para a apresentação de propostas ou planos de governo, estimulando o eleitor a valorizar o show em detrimento do conteúdo. A cadeirada de Datena em Marçal teve um charme grotesco. O que é de estanhar é que nenhum estrategista tenha cogitado "novidades" na temporada, do tipo uma cusparada na cara do adversário. Seria show na veia. Afinal, o espetáculo é o objetivo.

 

*Nelson Cadena é escritor e jornalista

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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