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Artigo

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Grande orgulho de ser cidadão da primeira capital do Brasil

Por Wenceslau Júnior

Foto: Eduardo Mafra

Conheci Salvador aos 18 anos, em 1988, quando fui morar na residência estudantil de Iaçu (BA), minha cidade natal. Ali, passei dois anos fazendo cursinho, quando, em 1990, fui para Ilhéus, fazer o curso de Direito na Fespi.

 

Muita coisa mudou nessa cidade, mas a desigualdade social e econômica permanece a mesma. Corrigindo, ela se agravou. Salvador mal parecia uma capital. A verticalização não era tão intensa. Puxando na memória consigo lembrar que nas imediações da antiga rodoviária, além dela, tinha o Shopping Iguatemi, a Casa do Comércio, a sede do Jornal A Tarde, e o prédio da Sefaz e Desenbahia e muitas chácaras.

 

Nesse tempo, dividi residência com vários amigos, eu e Ivanilson Gomes, seguimos na luta política. A casa ficava nos Barris, no meio da escadaria para o estacionamento do São Raimundo.

 

Os investimentos públicos, especialmente aqueles conquistados pelo Governo do Estado através dos Programas de Aceleração do Crescimento (PAC), no segundo governo Lula, nos Governos Dilma e no atual Governo Lula deram ar de capital a Salvador.

 

Complexos (portuários, aeroportuário, Rótula do Abacaxi); as avenidas Gal Costa, 29 de Março, Lobato - Campinas de Pirajá, Via Metropolitana; inúmeras encostas, entre outras obras, somadas à Arena Fonte Nova, metrô, VLT, Novo Teatro Castro Alves, Nova Rodoviária, mudaram a cara de Salvador.

 

Porém falta ao poder local construir alternativas de desenvolvimento econômico com inclusão social. A desigualdade é gritante e a fotografia do Carnaval retrata muito bem. De um lado a elite branca da Bahia, do Brasil e do Mundo dentro das cordas dos blocos, nos camarotes luxuosos. O povo preto de Salvador segurando as cordas, trabalhando como ambulantes, garçons, serviços gerais, músicos, catadores e catadoras de material reciclável.

 

A indústria de Salvador é a indústria dos serviços, não somente, mas principalmente na rede do turismo. Mas a maioria do povo trabalhador está na economia popular, na economia solidária, nos trabalhos precarizados, nas plataformas de aplicativo, no corre, como costumam dizer.

 

Meu segundo momento em Salvador foi contribuindo com a gestão da Bahiagás. Lá fui Gerente de Planejamento Empresarial, Gerente Jurídico e Assistente do Diretor Presidente (2018 a 2022). Mais recentemente, na Superintendência de Economia Solidária e Cooperativismo da Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), entre 2023 e 2026, ajudei a elaborar o conteúdo do PL apresentado pela Vereadora Aladilce Souza que cria a política municipal de economia popular solidária. A mesma vereadora que acompanhou toda essa minha trajetória em Salvador e teve a iniciativa de sugerir à Câmara o Titulo de Cidadão Soteropolitano. Agradeço a ela e seus pares e finalizo dizendo que o compromisso e a responsabilidade com Salvador só aumentam, especialmente para lutar pela redução das desigualdades.

 

Obrigado, Salvador!

 

*Wenceslau Júnior, advogado e cidadão soteropolitano

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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