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TCA: o palco da liberdade reaberto para o povo — e para o futuro

Por Éden Valadares

Foto: Divulgação

Há datas em que a história e a cultura da Bahia não apenas se encontram, mas se fundem em um só corpo vivo. Hoje é um desses momentos mágicos. Às vésperas de celebrarmos o 2 de Julho — a verdadeira e definitiva Independência do Brasil, conquistada a sangue, suor e protagonismo popular em solo baiano —, Salvador testemunha a devolução de seu maior templo das artes: o Novo Teatro Castro Alves (TCA).

 

Não se trata apenas da reabertura de uma casa de espetáculos. O TCA é, historicamente, o coração pulsante da nossa identidade. Ele é o centro gravitacional onde parte fundamental da cultura baiana se forma, se produz e se difunde para o mundo. É o espaço onde a sofisticação da vanguarda artística e a força avassaladora da nossa arte popular dialogam sem barreiras. No TCA, o erudito e o popular se irmanam, refletindo o espírito de um povo que traz o ritmo na alma e a liberdade como princípio.

 

Olhar para a história do Castro Alves é como folhear as páginas mais bonitas da nossa memória artística. Desde a sua mística fundação, o complexo abrigou momentos que mudaram os rumos da cultura nacional, como o histórico show Vinte Anos de Bossa Nova, que Caetano, Gil, Gal e Bethânia transformaram em manifesto, dando vida a Tropicália. E por falar em nascimento, é do ventre do TCA que nascem o Balé do Teatro Castro Alves, em 1981, e a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) no ano seguinte, orgulhos da baianidade. O bom e velho Teatro Castro Alves sempre foi o espelho um tipo de espelho do nosso tempo. Palco de resistência nos anos de chumbo, de explosão criativa na redemocratização e acolhedor de todas as manifestações que fazem da nossa terra um farol criativo.

 

Mas a preservação da grandiosidade exige coragem e investimento. Ao longo de sua trajetória, o TCA passou por intervenções marcantes, como a reconstrução após o trágico incêndio de 1958, antes mesmo de sua inauguração oficial, as reaberturas de 1967 e 1993, e a grande reforma da Concha Acústica entregue pelo governador Jaques Wagner. Porém agora, o patrimônio histórico e artístico nacional, assim reconhecido pelo IPHAN desde 2014, vive a sua mais profunda e ambiciosa transformação.

 

Após meses de um trabalho minucioso e complexo de engenharia, restauro e atualização tecnológica, o teatro ressurge como um dos equipamentos culturais mais modernos do Brasil e da América Latina. Com melhorias drásticas na acústica, cenografia, acessibilidade e segurança, o novo TCA está pronto para os desafios técnicos do século XXI, sem perder o traço arquitetônico que o tornou um patrimônio do modernismo brasileiro.

 

Essa vitória monumental é fruto do compromisso inabalável do Governo do Estado da Bahia. Sob a liderança firme do governador Jerônimo Rodrigues e da competência e sensibilidade do secretário de Cultura, Bruno Monteiro, essa missão foi encarada não apenas como uma obra pública, mas como um dever histórico para com o povo baiano. E deixo aqui um necessário registro sobre quem já foi alvo de tantas injustiças: a condução de Bruno Monteiro e sua equipe à frente da Secult foi decisiva para superar os desafios técnicos e burocráticos, garantindo que o cronograma e a excelência da execução técnica caminhassem de mãos dadas, devolvendo o complexo em sua plenitude para a sociedade.

 

A presença de Lula hoje, 1º de julho, na cerimônia de reabertura do TCA, engrandece este momento e sela o pacto de reconstrução nacional através da cultura. Ver o Presidente da República no maior palco da Bahia, na véspera da nossa festa maior de liberdade, é a prova viva de que a arte popular e a soberania caminham juntas. As cortinas do Teatro Castro Alves se abrem novamente. E, por trás delas, o que se vê é o futuro da Bahia e do Brasil: democrático, moderno, independente e profundamente orgulhoso de sua própria história.

 

Viva o TCA! Viva o 2 de Julho!

 

*Éden Valadares é secretário nacional de Comunicação e ex-presidente do PT Bahia

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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