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Artigo

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O Paraguaçu sob ataque

Por Gustavo Falcón

Foto: Acervo pessoal

O rio Paraguaçu é o mais longo rio baiano. Ele nasce na cidade de Barra da Estiva e desagua em Salinas das Margaridas após um longo percurso de cerca de 600 km. Irriga plantações, serve de bebedouro para os animais, fonte de renda para pescadores, corta povoados e cidades, incorpora muitos afluentes e em Cachoeira, já próximo a sua foz, majestoso e imponente, se transforma num imenso lago represado na Barragem de Pedra do Cavalo. Dali manda água para abastecer milhares de pessoas, no interior e principalmente na capital do estado.

 

Longo, volumoso, muito bonito e principalmente útil, o Paraguaçu é dos mais importantes componentes da reserva hídrica da Bahia e hoje um recurso indispensável para a sobrevivência de grande parte da nossa população. É um patrimônio natural dos mais importantes da Bahia. Pois em Cachoeira, cidade histórica do período colonial, onde deveria ser devidamente tratado, isto é, como uma verdadeira joia de nosso ambiente, não há quem cuide dele. Esgoto, resíduos de toda espécie, inclusive químicos, plásticos, vidros, eletrodomésticos e lixo doméstico, fazem parte de uma nefasta lista de porcarias que diariamente são jogadas no seu leito e que maculam sua imensa lâmina de água causando imensa tristeza aos que assistem a essas agressões ao meio-ambiente.

 

E quem olha pra isso? Quem pode ser responsabilizado por isso? Quem poderia fazer algum esforço para impedir tamanho desserviço, tal agressão? As dezenas de famílias que diariamente dependem da coleta artesanal de siris? Os pescadores dos bairros ribeirinhos? A Embasa?

 

Por uma questão de reciprocidade, essa empresa poderia sim fazer alguma coisa. Ela transporta 500 milhões de litros de água todos os  dias da Barragem de Pedra do Cavalo para seus consumidores. Não poderia pingar alguns recursos em educação ambiental e limpeza?

 

Na lista de possíveis colaboradores, poderíamos incluir a Prefeitura. Porque não? É sua obrigação zelar pela saúde pública e pelo patrimônio. Porque não inclui entre suas atividades a fiscalização e limpeza aquática da área sob sua administração? Sim. Porque?

 

E a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia? Deve dizer o que faz por essa causa. Ou está de costa para o rio que atravessa a cidade e o cotidiano de seus habitantes? Cadê a militância ambiental? Onde anda o ativismo quando o que está em jogo é a saúde da coletividade. Existe alguma atividade de pesquisa ou de extensão universitária relacionada à vida ( e a morte ) do rio?

 

E o Ministério Público? Cadê os partidos políticos? E as associações locais? Os demais agentes da sociedade civil?

 

Cachoeira é uma cidade briosa de seu civismo. Mas, convenhamos, no quesito ambiental está sujeita a muitas críticas. Uma boa foto conta muito na memória dos que nos visitam, dos que buscando a riqueza de nosso passado e sua valorização no tempo presente procuram a cidade para desfrutar seus encantos. Mas temos que admitir que, sob o ataque ambiental que o rio se encontra, nada de agradável fica na imagem que se vê em nossos dias. Não é confortável para qualquer pessoa minimamente sensível olhar um lindo rio repleto de esgoto e porcaria de toda ordem. Passou da hora das autoridades e responsáveis olharem para este aspecto do patrimônio da cidade, E, sobretudo, agirem. Mesmo quando a sociedade parece indiferente a tão grave situação.

 

*Gustavo Falcón é Mestre em Ciências Sociais e Doutor em História, jornalista, professor da Universidade Federal da Bahia e escritor com vários livros publicados. No Marketing Político trabalhou como redator sênior e estrategista em várias campanhas eleitorais majoritárias, dentro e fora da Bahia, para a Link Propaganda, Propeg, Pólis e MPB, ao lado de importantes nomes da publicidade brasileira.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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