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Artigo

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O Esporte como recomeço - Construindo o futuro do Paradesporto no Brasil

Por André Fufuca e Fábio Araújo

Foto: Divulgação

O Brasil já provou ao mundo sua força no paradesporto. Nas últimas edições dos Jogos Paralímpicos em Milão-Cortina 2026, consolidamos nosso lugar entre as grandes potências, com recordes, medalha e novos talentos surgindo a cada ciclo. Esse é um patrimônio do país. Mas, se por um lado o alto rendimento avança, por outro, ainda buscamos consolidar o esporte como ferramenta de reabilitação.

 

Essa diferença revela a existência de um enorme espaço que precisa ser ocupado por meio de uma política pública estruturada com planejamento e ação coordenada. É preciso levar o esporte para dentro dos Centros Especializados em Reabilitação (CERs) do SUS e conectá-lo, de forma permanente, às entidades de prática paradesportiva. Não se trata apenas de formar atletas de alto rendimento, mas de garantir o direito básico do acesso ao esporte como ferramenta de saúde, autonomia e cidadania.

 

Foi com esse compromisso que demos um passo histórico. O Ministério do Esporte lançou, neste mês, o Programa Vencer pelo Esporte, que estrutura uma política pública capaz de integrar cuidado, inclusão e desenvolvimento esportivo. Firmamos um acordo que permite a atuação direta do Ministério do Esporte no Contrato de Gestão do Ministério da Educação (MEC) com o Instituto Santos Dumont. Na prática, isso significa que o esporte agora está inserido na Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência do SUS como política pública integrada entre Educação, Saúde e Esporte. Essa é uma mudança de paradigma.

 

O Brasil conta atualmente com 342 Centros Especializados de Reabilitação, distribuídos por todas as regiões. Trata-se de uma infraestrutura robusta. No entanto, apenas cerca de 12% dessas unidades utilizam o esporte de forma estruturada. Esse dado revela o tamanho da oportunidade que temos diante de nós e também a urgência de agir.

 

O Acordo de Cooperação Técnica entre os ministérios do Esporte e da Saúde fortalece o cuidado intersetorial e amplia o uso do esporte e da atividade física na reabilitação, inclusive para pessoas com TEA. A iniciativa inclui formação de profissionais, produção de conhecimento, definição de indicadores e apoio a programas já em curso em todo o país.

 

A partir de agora, Esporte, Saúde e Educação atuam de forma integrada em um projeto comum, com o Instituto Santos Dumont como polo de formação, inovação e acompanhamento. Não se trata mais de discurso e sim de política pública concreta, com impacto direto na vida das pessoas.

 

Quando o esporte entra na reabilitação, ele não transforma apenas indicadores de saúde. Ele transforma trajetórias, amplia horizontes e muda a forma como a sociedade enxerga a pessoa com deficiência. Esse é o Brasil que queremos construir: um país que reconhece o esporte como ferramenta de inclusão, dignidade e oportunidade. Temos todas as condições de dar esse salto. E começamos. Porque o esporte, no Brasil, não é apenas competição. É também recomeço.

 

*André Fufuca é ministro do Esporte e Fábio Araújo é secretário Nacional do Paradesporto

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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