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Salvador: 477 anos e novos desafios

Por Isabela Suarez

Foto: Roberto Abreu/ Bahia Notícias

Celebrar o aniversário de Salvador é, antes de tudo, reconhecer a força de uma cidade que carrega história, cultura e uma vocação natural para o encontro entre pessoas, territórios e oportunidades. São 477 anos de uma capital que nasceu voltada para o mar, mas que, ao longo do tempo, ainda precisa redescobrir e potencializar suas conexões, tanto urbanas quanto econômicas.

 

O Centro Antigo, coração histórico e simbólico da cidade, é também um dos maiores desafios contemporâneos. A perda de vitalidade econômica, o aumento da vacância e as dificuldades de mobilidade contribuíram para um cenário que exige ação coordenada, visão estratégica e compromisso coletivo.

 

É nesse contexto que a mobilidade urbana se apresenta como um dos principais vetores de transformação. Projetos estruturantes, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), têm potencial para contribuir com essa mudança, ao reconectar territórios, facilitar o fluxo de pessoas e estimular a reocupação de áreas estratégicas, como o bairro do Comércio. No entanto, é fundamental destacar que sua eficácia depende diretamente da integração com outros modais e de um planejamento urbano consistente. Isoladamente, nenhum sistema é capaz de resolver os desafios da mobilidade em uma cidade complexa como Salvador.

 

Recentemente, a Associação Comercial da Bahia promoveu uma sessão plenária dedicada ao tema, reunindo lideranças empresariais para discutir os impactos do VLT. A iniciativa reforça o compromisso da entidade em acompanhar de perto projetos estruturantes, defendendo que a mobilidade seja pensada de forma integrada, conectando transporte, desenvolvimento urbano e dinamização econômica. Melhorar a mobilidade é, também, criar condições para que o comércio volte a pulsar, que novos negócios surjam e que o Centro retome sua vitalidade, com mais circulação de pessoas, mais segurança e maior ocupação dos espaços urbanos.

 

Mas revitalizar Salvador exige olhar além do território urbano. É fundamental integrar a cidade à sua maior riqueza natural: a Baía de Todos-os-Santos. Aproveitar o potencial náutico, incentivar atividades ligadas ao mar, valorizar a pesca, o turismo e o esporte são caminhos para gerar emprego, renda e pertencimento. Salvador não pode continuar de costas para o mar. É nele que está parte significativa do seu futuro.

 

Atenta a esse cenário, a ACB dará mais um passo importante com a criação da Câmara de Urbanismo. A iniciativa nasce com o propósito de aprofundar o debate sobre mobilidade, planejamento urbano e requalificação de áreas estratégicas, contribuindo com propostas concretas para o futuro da cidade.

 

Salvador chega a mais um aniversário com desafios históricos, mas também com oportunidades reais de transformação. O caminho passa pela integração entre os setores público e privado e entre a cidade e mar. Valorizar o passado é essencial, mas é a capacidade de projetar o futuro que vai definir o lugar que a cidade ocupará nos próximos anos.


*Isabela Suarez é advogada, empresária, presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e da Fundação Baía Viva

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

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