Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
/
Artigo

Artigo

Eu ponho fé é na fé da moçada

Por Wenceslau Júnior

Foto: Eduardo Mafra

Ainda na adolescência, tomei uma decisão que mudaria meu destino. Optei por cursar o magistério na cidade onde nasci e vivi até os 17 anos, Iaçu, na Chapada Diamantina.  A escolha foi um acordo que fiz com minha mãe: o dinheiro que seria gasto para que eu estudasse em Itaberaba, cidade vizinha, seria guardado para financiar meus estudos no futuro.

 

Essa economia permitiu que eu desse passos importantes. Passei um período no Rio de Janeiro e, logo depois, em Salvador, onde fiz cursinho pré-vestibular e morei na residência estudantil de Iaçu, isso no final dos anos 1980. As oportunidades eram poucas e o acesso ao ensino superior era muito mais restrito do que hoje. Mas, com esforço e perseverança, fui aprovado para Ciências Sociais na UFBA e também para Direito, na então Federação das Escolas Superiores de Ilhéus e Itabuna (FESPI). Escolhi seguir para Ilhéus.

 

Logo no primeiro ano de faculdade, mergulhei no movimento estudantil. Fui eleito secretário de Comunicação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e participei ativamente da mobilização para estadualizar a instituição. Os estudantes que me antecederam já haviam arrancado a gratuidade no final da década de 1980 com o então Governador Waldir Pires.

 

Em 1990/1991 a mobilização ampla e radical dobrou o velho ACM que, diante de tamanha pressão, mudou de posição sobre a estadualização. O resultado veio em 1991, com a estadualização da instituição e a criação da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), onde hoje sou professor do curso de Direito.

 

Quando olho para trás, percebo quanto o acesso à universidade era limitado. Muitos jovens talentosos ficavam pelo caminho por falta de oportunidades. Hoje, felizmente, o Brasil vive outra realidade. Nas duas últimas décadas, especialmente a partir do governo do presidente Lula, o país passou a construir uma política consistente de democratização do ensino.

 

Programas como o ProUni abriram portas para estudantes de baixa renda nas universidades privadas. O Fies foi reformulado para facilitar o financiamento estudantil. O Sisu democratizou o acesso às universidades públicas, utilizando a nota do Enem. A expansão da rede federal e a Lei de Cotas aproximou o ensino superior de milhares de jovens. A Bolsa Permanência garante condições para que estudantes em situação de vulnerabilidade possam permanecer na universidade, especialmente indígenas e quilombolas.

 

Essas políticas mostram que investir em educação é investir no futuro do Brasil. Eu sou fruto da luta pela educação pública e sei, por experiência própria, que quando o acesso ao conhecimento se amplia, toda a sociedade avança. A educação continua sendo o instrumento mais poderoso para transformar vidas e construir um país mais justo e desenvolvido.

 

Olhando para essa juventude que eu tomo emprestado os versos do eterno Gonzaguinha e sigo certo de que “eu acredito é na rapaziada e eu ponho fé é na fé da moçada”.

 

*Wenceslau Júnior é advogado e professor de direito da UESC

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias

Compartilhar