Quando a manutenção falha, o lazer vira temor!
Durante todo o ano, condomínios e usuários pagam regularmente taxas de manutenção para garantir o funcionamento adequado de equipamentos essenciais, como elevadores. O contrato pressupõe não apenas revisões técnicas, mas, sobretudo, confiabilidade, previsibilidade e resposta rápida em situações críticas.
O que se vê, infelizmente, em pleno período de veraneio, é exatamente o oposto. Após meses de intervenções, reformas e promessas de modernização, um elevador permanece inoperante justamente no momento de maior necessidade. O resultado é imediato, idosos, pessoas com mobilidade reduzida, famílias e veranistas ficam privados de um direito básico acesso, conforto e segurança exatamente no período que deveria representar descanso e lazer.
Mais grave do que a falha técnica em si é a ausência de resposta eficiente. Chamados são abertos, prazos são prometidos, compromissos são assumidos e, sucessivamente, não cumpridos. A sensação, para quem paga o serviço durante o ano inteiro, é de abandono, descaso e desrespeito ao consumidor.
Elevadores não são itens de luxo, são equipamentos de infraestrutura essencial, especialmente em prédios que abrigam idosos e pessoas com limitações físicas. Quando não funcionam, deixam de ser apenas um problema operacional e passam a representar uma questão de dignidade, acessibilidade e segurança.
É legítimo que empresas enfrentem desafios técnicos. O que não é aceitável é a falta de planejamento, de comunicação transparente e de capacidade de resposta, principalmente em períodos previsíveis de alta demanda, como férias e temporada de verão.
Este episódio levanta uma reflexão importante para síndicos, administradoras, órgãos de defesa do consumidor e para o próprio mercado:
- Quem responde quando o serviço não é entregue?
- Quem protege o usuário quando contratos são descumpridos na prática?
O consumidor não pode continuar refém de promessas vazias. Manutenção não é discurso, é compromisso diário, responsabilidade técnica e respeito às pessoas.
As multinacionais são as campeãs em reclamações, sem nenhum compromisso com o cliente.
*Renato Tourinho é empresário e publicitário
*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do Bahia Notícias
